Os perigos da indústria farmacêutica

Enviada em 21/07/2020

No filme “Inferno”, o simbologista Robert Langdon é imerso na obra Divina Comédia de Dante  e, ao decorrer do enredo, tenta impedir a propagação de um arma biológica desenvolvida pelo cientista, que objetivava dizimar parte da população global. Consoante à ficção, a indústria farmacêutica age de forma análoga ao cientista da narrativa e, apropria-se de artifícios ilegítimos para induzir o consumo de medicamentos em larga escala e sem orientação médica, suscitando, assim, uma crise de saúde mundial

Primordialmente, pode-se inferir que o ideal de acumulação de capital por parte das indústrias farmacêuticas detém protagonismo na formação do quadro problemático. Baseado no ideário cotidiano, configurou estímulo à consolidação de um sistema que pretende adquirir consumidores, deixando em segundo plano aspectos humanos. Nessa conjuntura, as indústrias de fármacos, visando a lucratividade máxima incentivada pelo sistema, vendem não apenas remédios, mas sugestionam sintomas em rede e, por meio de publicidade, atraem consumidores e criam hipocondríacos.

Sob outra análise, o advento da internet e sua alta densidade de informação contribuem para a automedicação fomentada pela indústria farmacêutica, tornando recorrente a dispensa do auxílio profissional, substituído pelo conhecimento exposto em rede. Contudo, indivíduos que se automedicam correm riscos de sofrer efeitos colaterais, fazer diagnósticos errados que comprometem a saúde e exceder doses pela falta de assistência profissional, que não é legitimamente suprida por fontes generalistas da internet.

Portanto, o Ministério da Saúde aja, utilizando do artifício da internet para reverter o quadro, por meio de propagandas que exponham os riscos ligados ao autodiagnóstico e à automedicação, a fim de barrar o vilipendio à saúde provocado pela regência capitalista das indústrias farmacêuticas e deslocar o impasse da inércia. Desse modo, com as medidas tomadas, é possível que a arma biológica do cientista limite-se à ficção.