Os perigos da indústria farmacêutica
Enviada em 25/07/2020
Sabe-se que a indústria farmacêutica exerce influência capital na vida contemporânea dos indivíduos, uma vez que, é capaz de suprir a demanda de diversos fármacos, acabando com as doenças da população ou contribuindo para o aumento da expectativa de vida. No entanto, apropriar-se de tais recursos de forma indevida pode causar grandes malefícios à sociedade, logo, cabe-nos debruçar-se sobre uma análise das causas e consequências dos perigos deste setor da economia.
Em primeiro lugar, é de grande relevância citar a facilidade do acesso aos medicamentos, muitas vezes consumidos sem prescrição médica, fato que foi democratizado ainda mais pelo surgimento dos genéricos em 1999, gerando concorrência com os laboratórios que investem em pesquisa e acarretando a baixa dos preços. Em resumo, evidencia-se a automedicação, que pode matar 10 milhões de pessoas por ano até 2050 em todo o mundo, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU).
Outrossim, a rotina corrida das pessoas e o adiamento de cuidados com a saúde torna o corpo social suscetível à busca por sintomas e tratamentos na internet, com o fito de solucionar uma eventual doença, o que é indubitavelmente perigoso pois pode aumentar a obtenção por conta própria de remédios, e ainda, caso algum índice da enfermidade seja atenuado, a pessoa pode concluir de forma súbita estar curada e não procurar um tratamento confiável, havendo riscos de uma piora do caso.
Em terceiro lugar, é válido ressaltar o viés capitalista deste problema: existem representantes da indústria farmacêutica que utilizam-se de meios persuasivos como brindes e viagens pagas para congressos, com o objetivo de convencer os médicos a receitarem produtos do laboratório para o qual trabalham, visando o enriquecimento do mesmo. Esta prática induz alguns doutores a prescreverem massivamente um mesmo fármaco para vários pacientes, que na maioria das vezes nem precisa dele, porém pela falta de conhecimento na área médica e confiança no profissional da saúde, torna-se vulnerável à esta má conduta.
Em suma, diante do exposto, é necessário uma ação sinérgica no combate aos perigos da indústria farmacêutica, portanto, urge que o Ministério da saúde e a ONU se prontifiquem a elaborar propagandas a serem veiculadas pela mídia, a fim de esclarecer e alertar sobre o mau causado pela automedicação. Además, é preciso que empresas de planos de saúde realizem as punições cabíveis, caso haja necessidade, aos médicos que cederem às bonificações de representantes pondo em segundo plano o bem-estar dos pacientes. Sendo assim, espera-se alcançar uma relação harmônica e plenamente benéfica entre a sociedade e todo o aparato farmacêutico à sua disposição.