Os perigos da indústria farmacêutica

Enviada em 23/09/2020

Em 1904, ocorreu um marco histórico no Brasil: A revolta da vacina. Durante uma epidemia de varíola, na gênese do uso dos antivirais, os cidadãos foram forçados e coagidos a receberem uma substância via parenteral com o aval do sanitarista Oswaldo Cruz sobre o exército e a força armada. Os habitantes não foram conscientizados acerca da vacina e, por isso, ocorreu a revolta. Semelhantemente, a população atual é ignorante em relação aos fármacos e por diferentes motivos, se medicam erroneamente. Dentre esses, estão a automedicação e a irresponsabilidade ao tomar remédios fortes, o que, indubitavelmente, deve ser modificado.

Nesse contexto, a automedicação é resultado do hábito nacional de não efetivar consultas e exames de rotina. Desse modo, ao reconhecer dores, febres, tosse e outros sintomas leves, o tratamento sem prescrição médica é realizado por quase 80% dos brasileiros adultos, conforme pesquisa do ICTQ (instituto de pós-graduação para profissionais do mercado farmacêutico). No entanto, os sintomas leves podem ser consequências de patologias encobertas que têm a possibilidade de agravamento por meio dos fármacos administrados sem prescrição médica. Essa realidade pode ser associada metaforicamente ao Mito de Sísifo, em que ele rolava uma pedra incessantemente, sem nunca chegar ao seu objetivo. Da mesma forma, os profissionais de saúde tentam combater esse problema e alertar a população para o uso correto dessas substâncias.

Ademais, esses medicamentos sem análise de um médico, podem ter riscos agravados se forem antibióticos e drogas de tarja preta, visto que sua efetividade é utilizada em casos graves, em que não há outra alternativa. A prescrição e o acompanhamento nesses casos é essencial, uma vez que o período de ingestão do remédio deve estar de acordo com o tempo de reprodução da bactéria e do nível de proliferação no local afetado. Caso contrário, esses agentes infecciosos podem sofrer mutações e tendem a resistir à substância e, em casos mais preocupantes, o efeito não ocorre.

Portanto, é necessário que essa situação seja amenizada. Para isso, a Anvisa, em parceria com o Ministério da Saúde, deve produzir comerciais nas redes de televisão, bem como palestras e conteúdos digitais de conscientização nas redes sociais, acerca não só da necessidade de prescrição para administrar medicamentos, mas também a responsabilidade ao tomá-los. Destarte, seriam indicados os perigos e as consequências que a maior parte da população não têm ciencia, a fim de que a sociedade possa  conhecer o que está ingerindo, seus efeitos e resultados, se responsabilizando por isso e evitando situações de repressão como a revolta da vacina.