Os perigos da indústria farmacêutica

Enviada em 24/09/2020

Thomas more, filósofo e estadista inglês, em sua obra “Utopia”  descreve uma sociedade sublime, a qual se molda de maneira lógica e harmônica. No entanto, a realidade hodierna observada é oposta àquilo que prega o autor, uma vez que os perigos da indústria farmacêutica apresentam entraves, os quais dificultam a concretização dos planos de More. Tal dicotomia é fruto tanto de problemas políticos, quanto midiáticos. Diante disso, torna-se essencial a discussão desses aspectos , a fim de uma melhor estruturação social.

Inicialmente, faz-se relevante pontuar a atuação ineficiente dos setores governamentais. Pois, segundo o preâmbulo da Constituição de 1988, é dever do Estado democrático assegurar direitos de ordem social e individual, vitais ao bem-estar, entretanto, isso não ocorre. Devido à negligência das autoridades quanto à criação e fiscalização do cumprimento de leis, houvera o surgimento de uma “cultura da automedicação”, na qual segundo o ICTQ, 91% das pessoas na faixa de 25 a 34 anos tomam remédios sem prescrição médica, causando danos não só a própria saúde, como também a todo um sistema de saúde unificado (SUS), visto que o uso indevido de remédios pode levar ao aparecimento de bactérias super-resistentes. Desse modo, urge que tal postura estatal sofra reformulações.

Ademais, é imperativo ressaltar a indústria midiática como fomentadora do problema. Já que, segundo Theodor W. Adorno, a mídia como importante ferramenta, molda-se ao sistema capitalista, tendo como objetivo final o lucro em detrimento  da informação das massas. Dessa maneira, transnacionais farmacêuticas fazem uso de seu grande capital de maneira a estimular ao telespectador um preciosismo exacerbado com sua saúde através do medo, afetando pessoas naturalmente mais propensas à quadros de hipocondria. Além disso, aumenta-se também o uso de propagandas a respeito de remédios, de modo a tratá-los como a solução definitiva de um problema, o que na realidade não se aplica. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que a indústria midiática colabora nessa perpetuação deletéria.

Portanto, com o intuito de mitigar o problema, necessita-se que o Presidente da República como chefe de Estado, apresente ao congresso um plano de controle dos males causados pelo uso indevido de fármacos, que analisará dados que serão coletados pelos próprios farmacêuticos a cerca dos remédios mais vendidos sem receitas e decidirá com base em sua toxidade e perigosidade, se deve ser encaixado na faixa vermelha (controlados). Assim, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto infesto do problema e a coletividade dará um passo em direção à Utopia de More.