Os perigos da indústria farmacêutica

Enviada em 25/10/2020

Bernadette, personagem da série de TV “The Big Bang Theory”, é uma microbiologista que trabalha desenvolvendo medicamentos e recebe salários bem mais altos que o seu esposo, um engenheiro aeroespacial. Fora da ficção, o ramo farmacêutico também é de alta lucratividade, o que, muitas vezes, pode leva-lo à superação de questões éticas seguras, ofertando perigos para o paciente, em nome do lucro. Dessa forma, devem-se analisar a lógica capitalista e a falta de conhecimento coletivo como propulsores da problemática em questão, a fim de resolvê-la.

A priori, a primazia do interesse pecuniário da indústria de fármacos é uma adversidade a ser enfrentada. Isso porque, consoante o sociólogo Karl Marx, o sistema capitalista tende a propiciar o uso de mecanismos de vantagem para lucrar. Nesse sentido, a chamada “biopolítica” é uma constatação disso, pois são acordos entre médicos e laboratórios onde aqueles recebem bonificações em troca de receitar apenas manipulados destes. Assim, ocorre o aumento do uso de remédios para tratar qualquer sintoma ou doença, sem que haja a preferência por tratamentos alternativos ou o incentivo à adoção pelos pacientes de hábitos saudáveis que previnam enfermidades. Posto isso, a saúde do indivíduo é colocada de lado, dado que é benéfico para as drogarias que existam cada vez mais doentes que necessitem ingerir medicamentos.

Ademais, a escassez de entendimento crítico facilita o controle das pessoas pela indústria farmacêutica. Tal fato ocorre pois, conforme ideias da filósofa Hannah Arendt, a carência do pensamento analítico na sociedade a torna vulnerável diante de influências desfavoráveis. Sob essa ótica, os fabricantes de remédios utilizam-se das propagandas em proveito próprio, pois elas, detentoras de forte poder coercitivo sobre a consciência individual, transmitem uma visão inofensiva do medicamento – enfatizam os benefícios do produto e minimizam as possíveis reações adversas e outros riscos dele. Por conseguinte, tal imagem positiva dos remédios em publicidades prejudica a população, uma vez que a induz à automedicação irrefletida.

Portanto, urge que o Governo Federal coíba as práticas danosas realizadas por empresas farmacêuticas - mediante a criação de um órgão responsável por fiscalizar contratos entre médicos e laboratórios, além da implementação de programas que fomentem e viabilizem a escolha por tratamentos alheios ao uso exclusivo de drogas. Somado a isso, o Estado deve punir comerciais de remédios com alto teor positivo e exigir que exiba, sobretudo, os efeitos colaterais que estes podem causar. Como resultado, objetiva-se oferecer ao cidadão boa qualidade de vida - garantindo que ele receba melhores cuidados à sua saúde - e inibir a medicalização da vida pela conveniência econômica.