Os perigos da indústria farmacêutica

Enviada em 07/11/2020

Jair Messias Bolsonaro, atual presidente da República, incentivou o uso de Cloroquina e Ivermectina para o tratamento do novo coronavírus, o que impulsionou a automedicação sem acompanhamento médico e fomentou o consumo compulsivo de remédios, um problema já existente no país. Com isso, o bombardeio midiático da indústria farmacêutica e a falta de informação da população auxiliam no agravamento da situação.

É importante destacar, em primeiro plano, o estímulo massivo ao consumo dos fármacos. De acordo com o sociólogo Noam Chumsky, o papel da mídia não é de informar os fatos, mas sim de moldar a opinião pública segundo o poder corporativo dominante que, nesse caso, é a indústria farmacêutica. Sendo assim, tal corporação incentiva e normaliza o hábito de tomar medicamentos por meio de propagandas e políticas de preço acessíveis. Com isso, se aproveita e manipula pessoas doentes que, nessa situação, estão vulneráveis e procuram a cura pra suas respectivas enfermidades. Dessa forma, por conta da ação midiática da indústria, os indivíduos consomem medicamentos desnecessários e até prejudiciais.

Vale ressaltar, em segundo plano, a falta de conhecimento na área da população. O documentário (Un)Well, da Netflix, traz análises sobre o aumento dos tratamentos alternativos à medicina para a cura de doenças, em que a maioria são mitos e ineficazes. Nesse âmbito, esse crescimento da automedicação, a qual é feita sem acompanhamento especializado, pode trazer consequências nocivas ao indivíduo. Tal fato se deve ao distanciamento entre a população leiga e a comunidade científica que, assim, tende a acreditar com mais facilidade em charlatanismos e placebos. Portanto, enquanto a corporação não tiver um posicionamento mais próximo e sincero diante do público leigo, a situação se agravará.

Desse modo, é evidente que a indústria farmacêutica tem efeitos perniciosos na população brasileira, desde sua atuação na mídia até seu comportamento diante dos cidadãos. Para mudar a atual conjuntura, é preciso que haja uma maior fiscalização sobre as propagandas de remédios. Paralelamente, o Ministério da Saúde deve investir na reeducação do público leigo a respeito dos perigos do consumo sem acompanhamento médico, por meio de propagandas em horário nobre na televisão e também pela disponibilização de um número específico para tirar dúvidas sobre determinados medicamentos. Assim, a fim de trazer informação às pessoas, espera-se frear a problemática.