Os perigos da indústria farmacêutica
Enviada em 01/12/2020
No livro “Farmacêutico de Auschiwitz” é retratada a indústria farmacêutica alemã, a qual apoia o regime nazista, acumula fortunas com câmeras de gás e utiliza cobaias nos campos de concentração. Percebe-se, nesse sentido, que se utiliza das pessoas como instrumento para obter um meio lucrativo. Não obstante, no documentário “Take your pills” é retratado um cenário em que os jovens se automedicam cotidianamente e mostra um novo “normal”. Por isso, torna-se necessário o debate acerca dos perigos da indústria farmacêutica. Assim, pode-se dizer, que a insaciável busca pela lucratividade e a automedicação da sociedade são os principais responsáveis pelo quadro. A priori, é imperioso destacar que a venda em massa, desnecessária, de medicamentos aos cidadãos, é fruto da insaciável busca pela lucratividade. Isso porque, em um mundo capitalista, toda forma de exploração e lucratividade são boas opções para se obter capital. “Se puder, não vá ao médico”, é o lema de Antonio Sitges-Serra, um médico que defende o empoderamento do paciente, visto que muitas vezes os doutores optam por tratar mínimos sintomas (sem requerer exames para indicar o uso de um remédio) somente para conseguir vender medicamentos e lucrar. Logo, é substancial a alteração desse quadro que vai de encontro ao direito da investigação do problema do paciente em sua consulta. Outrossim, é imperativo pontuar que o descaso dos cidadãos com a própria saúde, deriva da automedicação. Isso se torna mais claro, por exemplo, ao observar que a automedicação é praticada por 79% dos brasileiros maiores que 16 anos e ao analisar a ocorrência de mais de 60 mil internações por essa questão, segundo pesquisas do Instituto de Pós-Graduação para profissionais do mercado farmacêutico e do Ministério da Saúde. Ora, se os indivíduos não se interessam com seu bem-estar e negligenciam a importância de exames, entende-se, assim, o porquê da continuação do imbróglio. Desse modo, faz-se mister a reformulação estrutural de ensinamentos básicos de saúde. Depreende-se, por conseguinte, a necessidade de se combater alguns dos perigos da indústria farmacêutica. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação – ramo do Estado responsável pela formação básica escolar – inserir, nas escolas, desde a tenra idade, a disciplina de Educação de Saúde Básica, de cunho obrigatório em função da sua necessidade, além de difundir campanhas instrucionais, por meio das mídias de grande alcance, para que os jovens frequentem médicos e não pratiquem a automedicação. Ademais, o Ministério da Saúde deve impor sanções a médicos que prescrevem medicamentos sem o requerimento de exames plausíveis, por meio de avaliações diárias dos próprios pacientes, para obter-se uma fiscalização periódica, uma vez que é necessário o controle da prescrição médica. Quiçá, assim, tal hiato reverter-se-á, sem que a história se repita novamente ao caos da indústria farmacêutica nazista e seus testes.