Os perigos da indústria farmacêutica
Enviada em 15/12/2020
Durante o período Colonial, procedimentos rudimentares eram realizados com o intuito de curar doenças. Nesse sentido, um título de exemplo, é a sangria, que consistia na retirada de sangue da população, a fim de limpar o corpo enfermo, contudo, por vezes a técnica causava hemorragia e morte. Hodiernamente, o avanço da medicina aumentou o número de tratamentos devido à vasta disponibilidade de medicamentos, todavia, tal democratização pode ser maléfica, uma vez que a indústria farmacêutica aproveita-se da publicidade e efemeridade das relações contemporâneas para produzir e, consequentemente, vender mais remédios.
Em primeiro lugar, cabe ressaltar a estrutura social a qual os indivíduos estão inseridos, visto que ela constrói a moral que guia suas ações. Com base nisso, Zygmunt Bauman define que as experiências do mundo técnico-informacional produzem uma “sociedade líquida”, ou seja, volátil que deseja resoluções rápidas para problemas. Sob tal ótica, o pensamento do filósofo pode ser aplicado para explicar o comportamento compulsivo da população, visto que muitos consomem fármacos de maneira inconsequente para acelerar o processo natural de recuperação, já existente no sistema fisiológico. Assim, é imprescindível que o Estado ofereça alternativas para reduzir a compra exacerbada de remédios, já que os efeitos colaterais podem promover: dependência, insônia, além distúrbios físicos e psicológicos.
Outrossim, é imperativo dizer que a alta lucratividade da indústria farmacêutica depende da negligência da população quanto a aquisição de medicamentos. Nessa lógica, o portal Estadão divulgou uma pesquisa que aponta: as produtoras de remédios estão entre as que mais investem em publicidade- só em 2015, foram aproximadamente oito bilhões gastos no Brasil. Logo, tal índice preocupa, dado que as propagandas são responsáveis por influenciar o crescimento da automedicação entre os cidadãos, portanto, é imprecindível fomentar iniciativas que desenvolvam o senso crítico da pessoas a respeito das informações difundidas nesses anúncios.
Mediante os fatos elencados, o Ministério da Saúde deve criar um programa de combate à automedicação e ao consumo exacerbado de medicamentos. Para isso, é necessário investir em campanhas dinâmicas com participação de personalidades influentes na sociedade, elas irão falar sobre os perigos da automedicação. Além disso, o projeto também deve agir distribuindo caixas de chás e informando as propriedades medicinais deles a população. Dessa forma, a persuasão problemática da indústria farmacêutica será mitigada, através de uma solução viável tanto economicamente e socialmente.