Os perigos da indústria farmacêutica
Enviada em 06/01/2021
A descoberta da penicilina, por Alexandre Fleming, em 1928, foi um importante fato histórico que possibilitou o aprimoramento medicinal em relação à cultura de bactérias, diminuindo significativamente o número de mortes por bacterioses. Esse cenário mostra a relevância do uso de medicamentos para sociedade, porém, em contexto hodierno, a indústria farmacêutica ,que cuida da venda e fabricação de fármacos, tem uma postura equivocada, visto que ela tem como prioridade o lucro, deixando, muitas vezes, a saúde dos consumidores em segundo plano. Assim, a análise do impróprio uso da saúde em prol do lucro, bem como do imediatismo contemporâneo, é fulcral para auxiliar na adequada interpretação da problemática em voga.
A priori, é relevante ressaltar que, no Brasil, o marketing de medicamentos é legalizado, promovendo uma sociedade de consumo baseada na compra de drogas medicinais. Nesse sentido, o filosofo Theodor Adorno mostra o conceito de “reificação”, que é um mecanismo do qual a forma da mercadoria permeia a totalidade da cultura, ou seja, tudo se torna mercadoria. Esse conceito se aplica no modo como a indústria farmacêutica lida com a saúde da população, mostrando que o marketing pode ser altamente prejudicial, ao passo que os remédios, que teriam que curar, causam graves efeitos colaterais de curto e longo prazo, sendo possível observar o inadequado propósito de lucrar, prejudicando a saúde da sociedade.
Em segundo plano, é importante destacar que a forma como a sociedade atual encara a realidade reflete no modo conforme ela cuida da própria saúde. Dessa forma, o filósofo Bauman apresenta a ideia da Modernidade Líquida, que remete à ausência de forma definida, mobilidade e inconsistência das relações sociais da atualidade. Assim, o fácil acesso na compra de medicamentos, como anticoncepcionais sem prescrição médica, juntamente a mobilidade das interações hodiernas, gera um exacerbado consumo da população, que visa uma melhora rápida sem olhar os usos adequados de cada fármaco.
Em suma, a indústria farmacêutica objetifica a saúde da sociedade, que já tem um perfil de imediatismo, fazendo-se, então, necessária a implantação de medidas efetivas. Para isso, compete ao Ministério da Educação junto ao Ministério da Saúde promoverem camapanhas e programas, por meio de projetos de informação às crianças do ensino fundamental - assim como acontece no PROERD, programa que dialoga sobre os efeitos e consequências do uso de drogas - a fim de ensinar sobre a utilização consciente de medicamentos. E, por conseguinte, visar uma sociedade lúcida acerca sua própria saúde.