Os perigos da indústria farmacêutica
Enviada em 07/01/2021
Bernadette, personagem da série de TV “The Big Bang Theory”, é uma microbiologista que trabalha desenvolvendo medicamentos e recebe salários bem mais altos que o seu esposo, um engenheiro aeroespacial. Fora da ficção, o ramo farmacêutico também é de alta lucratividade, o que, muitas vezes, pode leva-lo à superação de questões éticas seguras, ofertando perigos para o paciente, em nome do lucro. Dessa forma, devem-se analisar a lógica capitalista e a falta de conhecimento coletivo como propulsores da problemática em questão, a fim de resolvê-la.
A priori, a primazia do interesse pecuniário da indústria de fármacos é uma adversidade a ser enfrentada. Isso porque, consoante o sociólogo Karl Marx, o sistema capitalista tende a propiciar o uso de mecanismos de vantagem para lucrar. Nesse sentido, a chamada “biopolítica”, acordos entre médicos e laboratórios, é uma constatação disso, pois aqueles recebem bonificações em troca de receitar apenas manipulados destes. Assim, ocorre o aumento do uso de remédios para tratar qualquer sintoma ou doença, sem que haja a preferência por tratamentos alternativos ou o incentivo à adoção pelos pacientes de hábitos saudáveis que previnam enfermidades. Como efeito, a saúde do indivíduo é colocada de lado, dado que é benéfico para as drogarias que existam cada vez mais doentes que necessitem ingerir medicamentos.
Ademais, a escassez de entendimento crítico facilita o controle das pessoas pela indústria farmacêutica. Tal fato ocorre pois, conforme ideias da filósofa Hannah Arendt, a carência do pensamento analítico na sociedade a torna vulnerável diante de influências desfavoráveis. Sob essa ótica, os fabricantes de remédios utilizam-se das propagandas em proveito próprio, pois elas, detentoras de forte poder coercitivo sobre a consciência individual, transmitem uma visão inofensiva do medicamento ao enfatizar os benefícios do produto e minimizar as possíveis reações adversas e outros riscos dele. Por conseguinte, tal imagem positiva dos remédios em publicidades induz a população à automedicação irrefletida.
Portanto, urge que o Governo Federal coíba as práticas danosas realizadas pelas empresas farmacêuticas – por meio de maior destinação de verbas ao Ministério da Saúde, para que esse realize a criação de um órgão responsável por fiscalizar contratos entre médicos e laboratórios, além de implementar programas no SUS que estimulem e viabilizem a escolha por tratamentos alheios ao uso exclusivo de drogas. Outrossim, o Estado deve punir comerciais de remédios com alto teor positivo e exigir que exiba, sobretudo, os efeitos colaterais que estes podem causar. Como resultado, objetiva-se oferecer ao cidadão melhores condições dele cuidar de sua saúde e inibir a medicalização da vida pela conveniência econômica.