Os perigos da indústria farmacêutica

Enviada em 09/01/2021

A Revolução Informacional é marcada pelas inovações nos âmbitos das ciências biotecnológicas e farmacêuticas. Nesse sentido, a criação de novos medicamentos e o investimento em pesquisas médicas é um importante marco para o século XXI, tornando a industria farmacêutica uma das áreas mais importantes do mundo moderno. Contudo, nas últimas décadas, essa industria é responsável por ações antiéticas e inaceitáveis, já que visa o lucro acima da saúde social e não prioriza o desenvolvimento de antibióticos e vacinas efetivas a longo prazo.

Em primeiro plano, é importante destacar que várias doenças estão sendo negligênciadas, visto que as pesquisas da indústria farmacêutica são orientadas basicamente pelo lucro e muitas dessas patologias estão mais presentes em países subdesenvolvidos que não podem pagar pela cura. Isto posto, segundo Louis Currat, secretário-geral do Fórum Global de Pesquisas em Saúde, “menos de 10% das verbas para pesquisa são destinados a 90% dos problemas de saúde do mundo”. À mostra dessa fala é possível constatar que apenas as pesquisas mais rentáveis são fontes de estudo, pois são essas que geram lucro para a área. Diante disso, é notório o descaso da industria farmacêutica com a saúde mundial, sendo fulcral uma mudança que obrigue a industria a desenvolver medicamentos de forma justa e igualitária.

Outrossim, para manter o desenvolvimento do lucro, os campos de pesquisas optam por centrar o negócio em remédios que deverão ser tomados durante toda a vida, ao invés de uma única dose, já que essa não gera o mesmo rendimento das medicações de longo prazo. Sob essa ótica, Thomas Steitz, ganhador do prêmio Nobel de química, denunciou o fato de que os laboratórios farmacêuticos não pesquisam antibióticos efetivos e acrescentou que “não querem que o povo se cure”. Sendo assim, a prioridade dessa industria revela-se movida pela concentração de Capital, preferindo desenvolver drogas de longo prazo a criação de antibióticos que curam de forma definitiva. Dessa forma, a necessidade dos países investirem mais na ciência dos antibióticos seria uma solução para tal problemática.

Partindo desse pressuposto, para suprimir as ações inadequadas da indústria farmacêutica, é necessário que a Organização Mundial da Saúde garanta meios de fornecer medicamentos de maneira justa para toda a população, por meio de um melhor gerenciamento das verbas destinadas a todas as áreas de pesquisa de todos os países, tais como os desenvolvidos e os subdesenvolvidos, a fim de certificar a obtenção das curas mais necessárias. Dessa maneira, os perigos oriundos da industria farmacêutica serão eliminados, restando o lado positivo e benéfico desse marco do século XXI.