Os perigos da indústria farmacêutica
Enviada em 18/03/2021
Desde a descoberta da penicilina em 1928, a indústria farmacêutica não parou de crescer no mundo, trazendo diversos benefícios à vida humana. Contudo, no contexto vivido no século XXI, observam-se efeitos negativos causados por esse crescimento, como o consumismo no setor farmacêutico e a influência imposta pela indústria cultural à vida das pessoas.
Partindo desse pressuposto, é inegável que o mercado de fármacos vem crescendo, segundo a The Business Research Company, esse ramo cresce 5,8% ao ano, atingindo maiores patamares. Isso é causado pela presença do consumismo na cultura da sociedade capitalista, que objetiva o aumento constante do capital. Tal fato é descrito por Karl Marx em seu livro “O Capital” em que ele aponta que nesse processo os produtos são fetichizados, assumindo qualidades que vão além das que eles apresentam, de forma que as pessoas comprem medicamentos sem que haja real necessidade, por influência. Isso é um grave efeito da indústria farmacêutica no mundo.
Nesse cenário, a influência se dá a partir do uso das ideias de produção de massa do sistema capitalista dentro do modo de vida das pessoas, fazendo com que a cultura se transforme em uma forma de controle social. Essa atuação pode ser notada nas propagandas dos fármacos, em que são apresentadas pessoas cuja aparência e comportamentos estão dentro do que é socialmente considerado saudável. Esse fator foi denominado por pensadores da Escola de Frankfurt como “Indústria Cultural”, na qual a ideologia do consumismo é difundida através da cultura, resultando no sentimento de obrigação dos indivíduos em comprar esses produtos para que se encaixem nos padrões criados pela indústria, assim contribuindo para o crescimento dela.
Evidencia-se, portanto, que a presença do consumismo e a influência da indústria cultural na vida das pessoas são efeitos do mercado farmacêutico e devem ser revertidos. Por conseguinte, cabe aos Estados, através dos Ministérios da Educação e da Saúde, promover palestras nas escolas– uma vez que essas têm o papel de educar as pessoas– sobre os males do consumismo, a fim de conscientizar a população quanto a esses temas, para que, assim, um dos impactos negativos do mercado de fármacos seja amenizado. Ademais, é necessário que os Poderes Legislativos regularizem, por meio de projeto de lei, a forma como são difundidas as publicidades de produtos farmacêuticos, objetivando-se reduzir a influência consumista na vida dos indivíduos. Assim, os efeitos negativos da indústria na sociedade serão atenuados.