Os perigos da indústria farmacêutica
Enviada em 24/04/2021
Segundo Paracelso, médico e físico, “a diferença entre o remédio e o veneno está na dose ingerida”. Dessa forma, utilizar um medicamento na dose incorreta pode acarretar efeitos graves no organismo e até levar a morte. Entretanto, no Brasil, a facilidade do acesso ao comércio do medicamento, somada a dificuldade do acesso da população a consulta médica, leva ao risco da prática da automedicação. Além disso, a propaganda disponibilizada pelas indústrias farmacêuticas, chega ao consumidor final sem a correta orientação do profissional de saúde, o que intensifica essa prática danosa, contribuindo para o “uso irracional de medicamentos”.
Dentro desse cenário, a OMS (Organização Mundial de Saúde) recomenda que se tenha uma farmácia para cada 8 mil habitantes. Entretanto, no Brasil, a realidade é outra, em alguns estados esse número é quatro vezes mais, contabilizando uma farmácia para cada 2 mil habitantes. Em resumo, o aumento da quantidade de farmácias é reflexo da procura por qualidade de vida e de estar bem consigo mesmo, de maneira “rápida” e “prática”. No entanto, tanto a dificuldade do acesso às consultas médicas, como a forte influência da indústria farmacêutica prejudica o tratamento específico. Além de, a população não receber orientações sobre a importância das medidas não medicamentosas, como alimentação saudável e prática de atividades físicas, para se obter qualidade de vida.
Além disso, a influência da mídia e a prática da propaganda está fortemente inserida no contexto atual do Brasil. Como exemplo, a frase “tomou doril e a dor sumiu”, de um analgésico que se tornou conhecido nacionalmente por sua propaganda, a qual leva milhares de pessoas ao consumo do medicamento, a maioria das vezes sem a identificação da causa da dor. Além de, em casos graves, atrasar o início do tratamento recomendado e contribuir para o aparecimento de reações adversas.
Portanto, para evitar os riscos da indústria farmacêutica, deve-se criar leis governamentais, adequando as farmácias em estabelecimentos de saúde, criando pequenos centro de triagens no ato do atendimento, por meio de protocolos práticos que serão aplicados por farmacêuticos, que se necessário, encaminhará o cliente para uma consulta médica, odontológica, nutricional ou psicológica, para o acompanhamento recomendado. Somado a isso, deve-se reforçar a fiscalização e efetivação de leis que regulamentam as propagandas pelos órgãos estaduais e municipais, evitando a influência da mídia ao consumo e consequentemente diminuindo os eventos indesejados, assim, garantindo que o medicamento seja um remédio e não um veneno para a população.