Os perigos da indústria farmacêutica
Enviada em 20/08/2021
“Se persistirem os sintomas o médico deverá ser consultado”. Esta típica frase que é exposta ao final das propagandas de medicamentos reflete a intenção da indústria farmacêutica: priorizar a venda de remédios ao auxílio médico. Por isso, apesar dos benefícios que os fármacos trouxeram à sociedade, utilizá-los de forma irresponsável pode acarretar danos à saúde. Neste sentido, analisar a influência midiática e como a situação da saúde pública interfere nessa indução é necessário.
Em primeiro plano, vale destacar a precariedade do Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil. Historicamente, a criação do SUS esteve vinculada à democratização no acesso à saúde, porém muitos problemas são encontrados nos postos e hospitais, que vão desde a ausência de remédios a de especialistas. Desse modo, o descrétido da população sobre o programa aliado à facilidade de compra de alguns medicamentos contribui para os lucros da indústria. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada, o brasileiro passa, em média, 17 horas nas filas dos hospitais públicos para ser atendido, o que confirma tal tendência à automedicação.
Em segundo lugar, é preciso estudar a influência negativa das propagandas. Em sua maioria, o “marketing” dos medicamentos é construido para induzir um consumo negligênte e sem prescrisção médica deles. Ou seja, desvalorizam o papel das autoridades médicas em prol do lucro que almejam com a venda desse tipo de terapia e escondem as possibilidades de efeitos adversos. Tal conduta alcança níveis alarmantes, pois, conforme o site G1, cerca de 90% dos brasileiros se automedicam.
Torna-se evidente, portanto, a urgência no controle dessas atitudes para o bem social. Sendo assim, o Ministério da Saúde, em parceria com as instituições médicas, deve elaborar um plano de suprimento imediato no SUS, por meio de envios constantes de medicamentos e profissionais aos locais que precisam. Essa prática será realizada por meio de sistemas remotos e práticos, a fim de agilizar o atendimento, reduzir as horas de espera e gerar crédito ao programa. Ademais, cabe a Indústia Farmacêutica mudar a frase ao final das propagandas, por intermédio de enquetes com sugestões para votação nas redes sociais, além de enfatizar nas suas campanhas a necesidade da procura ao especialista, com a finalidade de causar uma influência positiva na população.