Os perigos da indústria farmacêutica

Enviada em 31/08/2021

Com o advento da Revolução Industrial, no século XIX, o processo rápido e massivo de urbanização irregular gerou uma superlotação nas cidades, aumentando de forma exponencial o surgimento e transmissão de enfermidades. Hodiernamente, a manipulação de doenças em detrimento do lucro indica a subversão da saúde em mercadoria e a nociva exploração fomentada pela indústria farmacêutica. Todavia, a tentativa do distanciamento dessa realidade pelo coletivo reflete a necessidade da revisão de políticas públicas que assegurem a segurança e saúde geral.

Mormente, os fármacos são tratados de forma mercantilista, através da dispersão do capitalismo e da tecnologia. Nesse contexto, a indústria farmacêutica, frequentemente, desenvolve medicamentos e vende novos sintomas afim de construir uma demanda, objetivando a maximização dos rendimentos. Sob essa conjectura, notabiliza-se a crescente introdução de remédios e o círculo vicioso da necessidade de drogas paliativas para controle de efeitos colaterais do uso de outras, denunciando a irresponsabilidade ética dos profissionais de saúde responsáveis por esse ciclo.

Outrossim, o uso de marketing direto ao consumidor promove a ingestão exacerbada de fármacos e a perpetuação da dependência química, ante uma falsa ilusão de vida mais saudável. Consoante ao pensamento de Émile Durkheim, a coercitividade social influencia nas ações individuais, demonstrando o peso da opinião coletiva na normalização da automedicação como substituição ao atendimento médico confiável. Não obstante, a ausência de controle da distribuição de remédios e prescrições são resultado da junção de um governo inobservante à Constituição Federal e uma nação alienada ao consumismo.

Destarte, urge a mobilização homogênea entre o Ministério da Saúde e a ANVISA na criação de mecanismos que fiscalizem, de forma mais intensa, novos fármacos e pesquisas desenvolvidas por laboratórios de empresas farmacêuticas, visando mitigar os riscos provocados pela progressiva exploração e mercantilização da saúde. Ademais, é necessária uma limitação, por meio de legislações, do marketing promovido pela indústria farmacêutica, no intuito de impedir a automedicação e formar uma sociedade mais crítica sobre o controle da utilização de medicamentos. Desse modo, a sociedade possivelmente exercerá um impacto positivo na diminuição da exploração de químicos, como sugere Durkheim.