Os perigos da indústria farmacêutica

Enviada em 06/10/2021

Em propagandas de medicamentos ao consumidor, é comum a frase: “Se persistirem os sintomas, o médico deverá ser consultado”. A problemática nessa comunicação é expressar a ideia de que o cliente, sem qualquer formação profissional na área da saúde, é capaz de se autodiagnosticar e se medicar antes de consultar um especialista. Dessa forma, a automedicação estimulada pode agravar a doença ou até mesmo causar outras. Nesse sentido, a fim de mitigar os problemas da ingestão irresponsável de drogas medicinais, faz-se necessário analisar os perigos da indústria farmacêutica.

Diante desse panorama, vale destacar que, desde meados do século XV, a maior parte da população tem como sistema econômico o capitalismo, que visa o lucro e o acúmulo de riqueza, não tendo como prioridade a saúde dos cidadãos. Negligência essa que é notada na facilidade em comprar remédios com contraindicações e efeitos colaterais sem prescrição médica. Com efeito, Karl Marx, em sua teoria sobre o capital, diz que o modo de produção da vida material domina, em geral, o processo da vida social. Assim, em consonância às ideias marxistas, o medicamento se torna um instrumento de acumulação de poder e capital.

Ademais, as indústrias se adequam ao modelo de produção, inclusive a farmacêutica que, para aumentar sua vendagem, adota o marketing. Porém, essa estratégia de vendas atinge os hipocondríacos - condição patológica -, que veem os sintomas combatidos pelo produto anunciado e acreditam que possuem tal doença, mesmo sem nenhuma evidência médica, sentindo-se compelidos a comprar o fármaco, correndo risco de intoxicação e vício na medicação. Segundo o escritor Honoré de Balzac, um vício custa mais caro do que manter uma família, evidenciando o prejuízo à saúde que é perder o controle sobre suas vontades. Logo, o vício fomentado pela indústria farmacêutica impacta negativamente em indivíduos vulneráveis e propensos a ingerir medicamentos por conta própria, que não possuindo controle sobre esses atos, prejudicam sua saúde.

Portanto, faz-se necessário que o Ministério da Saúde, junto à canais midiáticos, desenvolva propagandas e anúncios informativos - que serão veiculadas nas redes sociais e televisão aberta, com verbas governamentais, sendo facilmente acessados pelo público-alvo, os cidadãos sem formação profissional na área da saúde - sobre os perigos da automedicação e orientando os enfermos a procurarem o Sistema Único de Saúde, visando integrar a população ao serviço médico de qualidade e capacitado a dar a assistência necessária, a fim de que não firam a si mesmos ingerindo medicamentos contraindicados e com efeitos adversos. Somente assim haverá a diminuição da ingestão irresponsável de drogas medicinais.