Os perigos da indústria farmacêutica

Enviada em 16/09/2021

O documentário “Take Your Pills” expõe depoimentos de alguns cidadãos estadunidenses que se automedicam com frequência e as consequências deste ato. No contexto brasileiro, a situação é similar, já que hodiernamente o acesso à remédios é facilitado e a internet, erroneamente, se tornou uma espécie de médico. Desse modo, pode-se afirmar que na contemporaneidade a automedicação é um problema atual que persiste devido a uma base educacional lacunar e ao silenciamento do tema.

Primeiramente, é necessário apontar a educação nos moldes predominantes no Brasil como causa latente do problema. Para filósofo Kant, o ser humano é resultado da educação que teve. Sob essa lógica, se há um problema social, há como base uma lacuna educacional. No que tange à indústria farmacêutica, observa-se uma forte influência dessa causa, uma vez que a escola não tem trazido às salas de aula conteúdos que ajudem na resolução do impasse. A escola, como formadora de cidadãos, tem o dever não só de aplicar matérias conteúdistas, mas também temas que informem e conscientizem os futuros adultos do país.

Sob outro olhar, há também a falta de debate sobre os perigos da automedicação. Para o filósofo Foucault, alguns temas são silenciados para que certas estruturas de poder sejam mantidas. Nesse sentido, nota-se uma lacuna no que diz respeito ao debate dos riscos da indústria farmacêutica, que tem sido silenciado. Isso ocorre porque, em alguns casos há interesses econômicos por parte de grandes laboratórios, que possuem influência e podem controlar toda o mercado de fármacos, e já que o consumo desenfreado de remédios irá gerar lucro para a empresa, os danos colaterais são negligenciados. Assim, sem diálogo sério e massivo sobre a problemática, sua resolução é impedida.

Portanto, algo deve ser feito. Para tal, o Ministério da Educação deve adicionar conteúdos relacionados a remédios, que envolva desde o estudo químico até as consequências sociais da automedicação. Tal mudança deve ser feita por meio da alteração da base nacional curricular para todos os primeiros anos do Ensino Médio com a finalidade de conscientizar e informar os adolescentes de uma maneira prática e dinâmica. Logo, os perigos da indústria farmacêutica serão amenizados e será apenas uma mazela no passado do Brasil.