Os perigos da indústria farmacêutica
Enviada em 25/10/2021
A Constituição Federal, norma de maior hierarquia do sistema jurídico, promulgada em 1988, garante a todos, por meio do artigo 6º, o direito à saúde de qualidade. No entanto, a exposição dos indivíduos aos perigos da indústria farmacêutica, revelam que esse direito ainda não alcançar toda a população. Isso ocorre, seja pela negligência estatal nesse âmbito, seja pela ganância dessas empresas.
Diante desse cenário, é necessário destacar a relação entre a forma negligente que parte do Estado costuma lidar com a saúde e a automedicação. Isso porque, devido a falta de investimentos na Saúde, muitos postos não contam com recursos básicos para realizar as consultas, como médicos, salas ou medicamentos. Desse modo, essas situações podem resultar em ausência de atendimentos para a população, as quais encontram a automedicação como único método para aliviar os sintomas. Com efeito, a falta de atuação do governo além de descumprir preceitos normativos, colocar a vida dessas pessoas em perigo, pois o ato de tomar rémedios por conta própria pode intensificar os sintomas ou causa dependência química. Este quadro de inoperância das esferas de poder exemplificar a teoria das Instituição Zumbis, do sociólogo Zygmunt Bauman, que as descreve como presente na sociedade, mas que não cumprem seu papel com eficácia. Desse modo, é imprecindível que, para a refutação da teoria do estudioso polonês, essa problemática seja revertida.
Paralelamente, ao descasso das esferas governamentais nessa questão é fundamental o debate acerca da ganância da indústria farmacêutica, uma vez que ambas contribuem para a manutenção dessa problemática. Sob esse viés, a consolidação do capitalismo, como modelo econômico dominante, estabeleceu uma nova ordem mundial: a buscar constante por lucros. Nesse sentido, as empresas passaram a utilizar todos os meios para alcançarem esse objetivo, o que não foi diferente com a indústria de medicamentos. Sendo assim, essas empresas passaram a “vende” doenças, ou seja, a partir de propagandas que criam nas pessoas a necessidade de procurar por medicamentos para sintomas que não existem. Assim, a indústria farmacêutica deixa de buscar a cura para doenças e passa a “causar” os sintomas em nome do acúmulo de riquezas.
Portanto, o Ministério da Saúde deve aumentar os repasses financeiros para os governos estaduais, o que deve ser feito por meio de recursos autorizados pelo tribunal de contas da união, a fim de que as secretarias estaduais invistam na construção de unidades de saúde , contratação de profissionais e compra de medicamentos, a fim de garantir atendimento de qualidade e evitar automedicação. Assim será possível desmitificar a ideia de polonês. Alem disso, o governo deve coibir as campanhas que incentive o uso indiscriminado de medicamentos, com intuito de evitar que ganância cause perigos.