Os perigos da indústria farmacêutica

Enviada em 15/03/2022

O seriado “Scorpion” retrata, em um de seus episódios, a situação do presiden-te de uma empresa líder do setor de farmácias que provocou um surto de varíola para gerar demanda pelas vacinas por eles produzidas. Em consonância com a rea-lidade da série, está o mundo contemporâneo, uma vez que a indústria farmacêu-tica sobrepõe a preocupação econômica diante dos cuidados para com a saúde da população. Perante o exposto, a sociedade padece com o consumo supérfluo con-sequente das propagandas conotativas e com o uso indiscriminado de remédios.

À vista disso, é válido destacar que desde a ascensão do capitalismo, os inte-resses de todos os âmbitos econômicos são voltadas para o lucro. Sob esse viés, segundo a teoria dos filósofos da Escola de Frankfurt, tem-se que aqueles que de-têm o conhecimento impõem seus interesses sobre os mais vulneráveis, de modo a torná-los alienados e mais facilmente manipuláveis. Nessa perspectiva, percebe-se que, muitas vezes, as empresas farmacêuticas promovem propagandas apelativas, que enfatizam apenas seus produtos, mas não buscam informar a população acer-ca das doenças e de possíveis formas de prevenção, por exemplo.

Ademais, a cultura social do uso imoderado de medicamentos é reforçada pe-las publicidades, muitas vezes imorais, que buscam alcançar a nova prioridade da indústria farmacêutica, o lucro. Segundo o filósofo Hans Jones, as ações éticas de-veriam se tornar universais para toda a sociedade. Entretanto, percebe-se que, a partir da ascensão do capitalismo – um sistema perverso, cujo fim único é o consu-mo -, esse preceito foi distorcido em prol dos interesses da classe dominante, que busca contrapor a teoria do bem comum e normalizar a manipulação do mercado, aspirando o aumento das vendas.

Portanto, faz-se imprescindível que a mídia, meio de larga amplitude, inteire a sociedade sobre os males da automedicação desenfreada, por meio de comerciais periódicos, visando disseminar mais informações a respeito do tema. Paralelamen-te, o Estado, principal propiciador da harmonia social, deve averiguar a legalidade das propagandas feitas pela indústria farmacêutica, mediante fiscalização rígida, objetivando que menos consumidores sejam coagidos a comprar medicamentos desnecessários e não prescritos.