Os perigos da indústria farmacêutica
Enviada em 21/05/2022
“Se persistirem os sintomas, o médico deverá ser consultado”. Esta típica frase ao final das propagandas de medicamentos reforça a intenção da indústria farmacêutica em induzir o consumo negligente de remédios. Neste sentido, o papel do médico é menosprezado e as facilidades na compra de alguns fármacos cresce de forma exponencial. Desse modo, deve-se analisar a influência midiática na postura social em relação aos remédios e a não prioridade do Sistema Único de Saúde (SUS) pela busca popular, para que se alcancem soluções.
Em primeiro plano, vale destacar o papel da mídia no comportamento da comunidade. Em sua maioria, o “marketing” dos medicamentos é construido de maneira a induzir o consumo, quase que imediato, deles, por intermédio de curas milagrosas e da colocação do profissional de saúde como algo secundário à compra. Logo, essa ação, vinculada à facilidade em adquirir alguns tipos de remédios, faz com que o brasileiro se automedique de maneira constante e irresponsável, como veiculado pelo site G1, no qual relata que, cerca de, 81% da população da região Sudeste toma remédio sem prescrição médica.
Em segunda análise, a imagem de precariedade do sistema público de saúde reforça essa intenção da indústria. Infelizmente, as condições negativas do SUS são mais evidenciadas do que as positivas, que vão desde a falta de medicações até a de profissionais, o que colabora para a descrença popular sobre essa política pública. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada, o brasileiro passa, em média, 17 horas na fila de espera por atendimento em hospitais públicos, o que reafirma o descaso com o sistema e a prioridade social pela farmárcia.
Torna-se evidente, portanto, a urgência em reduzir a interferência negativa da indústria farmacêutica na sociedade. Sendo assim, o Ministério da Saúde, em parceria com a Associação Médica Brasileira, deve garantir infraestrutura ao SUS, por meio do abastecimento constante de insumos e contratação de profissionais, quando necessário, a fim de agilizar o atendimento e dar o suporte essencial à população. Ademais, a mídia precisa propagar a necessidade da procura ao especialista, mesmo em casos mais simples, por intermédio de dados sobre automedicação e campanhas de apoio ao SUS, para fomentar a criticidade social.