Os perigos da indústria farmacêutica

Enviada em 28/10/2022

No final da década de 20, a descoberta da peniclina por Alexander Fleming revolucionou a medicina e abriu espaço para o protagonismo dos fármacos na sociedade.No entanto, apesar da erradicação e controle de inúmeras patologias proporcionados pela indústria farmacêutica, os perigos,muitas vezes ocultos, no uso de medicamentos na modernidade revelam um sinal de alerta aos possiíveis malefícios do uso indiscriminado de substâncias. Tal fato pode ser ilustrado pela banalização na utilização de medicamentos “tarja preta”, bem como pelo estímulo à automedicação, contribuindo, inclusive, para a camuflagem de diagnósticos.

Em primeiro lugar, é importante salientar que o uso de medicamentos controlados como ansiolíticos e estimulantes não está restrito ao seu público alvo- exemplificado por pessoas com TDAH ou ansiedade patológica- infelizmente, é cada vez mais comum o uso dessas substâncias, as quais podem ser facilmente obtidas no mercado negro, por pessoas próximas ou até mesmo pela banalização dessas receitas pelos próprios médicos. Tais medicamentos, os quais possuem alto risco de vício são utilizados inapropriadamente para o aumento de perfomance, sendo esse cenário retratado na obra a “A Sociedade do Cansaço”, de Bung Chun Han, o qual não descarto o risco de um novo cenário de dependência química.

Além disso, medicamentos de venda livre, os quais não raramente são objeto de publicidade criada pelos próprios laboratórios, retratam outra problemática; o alívio de sintomas por uso de substâncias e não pela busca dos serviços de saúde para que tais incômodos sejam investigados. Esse costume pode levar a interações medicamentosas perigosas, ou a camuflagem de doenças mais sérias, tornando algo que poderia ser simples em maiores complicações para a saúde de quem se automedica, gerando gastos desnecessários ao SUS.

Em suma, cabe ao Ministério da Saúde a busca por uma regulamentação mais rígida na prescição de medicamentos. Isso pode ser feito por meio da criação de um sistema que permita a comunicção direta entre médicos e farmácias - como nos moldes dos EUA- onde o paciente retira seu medicamento com seus dados no rótulo. Assim, será possível vincular médicos,pacientes e farmácias, a fim de evitar o uso indiscriminado de medicamentos, gerando transparência para a fiscalização.