Os perigos da indústria farmacêutica
Enviada em 11/01/2024
Em outubro de 1988, a sociedade conheceu um dos documentos mais importantes da história do Brasil: a Constituição Cidadã, cujo conteúdo garante que todos os brasileiros possuem o direito de receberem atendimentos e cuidados relacionados à saúde. Entretanto, cada vez mais pessoas estão deixando de exercer esse direito constitucional e buscando na automedicação uma “solução” para suas enfermidades . Com esse crescente movimento, fica explícito os perigos que rondam as indústrias farmacêuticas e o marketing feito sobre seus produtos.
Diante deste cenário, fica fácil de visualizar como essa ação de ingerir medicamentos por conta própria e por qualquer pequeno sintoma, pode ocasionar problemas de saúde ainda mais graves como uma depedência química. A população dos Estados Unidos vive uma crise de opioides que nasceu desse costume da automedicação que os norte americanos possuem, isso devido ao incentivo feito pelas farmacêuticas e o difícil acesso ao sistema de saúde americano. No país citado, milhares de mortes de overdose por causa dessas substâncias aconteceram no último ano.
Ademais, a inércia estatal inviabiliza o combate as políticas absurdas das farmacêuticas. A esse respeito, o filósofo inglês John Locke desenvolveu o conceito de “Contrato Social”, a partir do qual os indivíduos deveriam confiar no Estado, que, por sua vez, garantiria direitos inalienáveis à população. Todavia, quando se vê nos jornais a falta de medicamentos para serem distribuídos em hospitais públicos e em UPAs, fica em evidência que o Poder Público brasileiro se mostra incapaz de cumprir o contrato de Locke, na medida em que a população tem que comprar os remédios por conta própria, sobre preços abusivos e fora da realidade financeira da maior parte da sociedade.
É urgente, portanto, que medidas sejam tomadas para combater os abusos cometidos pela indústria farmacêutica. Nesse sentido, o Estado, através de um projeto de lei, deve regulamentar a atividade dessas indústrias no território brasileiro a fim de que as mesmas fiquem impossibilitadas de fazer um marketing exaustivo em cima de seus produtos e de que também sejam multadas em caso de cobrança de preços abusivos sobre medicamentos essenciais. Essa iniciativa terá a finalidade de romper a inércia do Estado e então, combater os absurdos cometidos por essa indústria.