Os perigos da instabilidade política e o surgimento de um herói patriota

Enviada em 23/05/2022

O sociólogo Émile Durkheim, na obra “O suicídio”, conceitua a anomia social como o estado de desintegração da sociedade, uma vez que a normalidade é corrompida tanto na eficácia pública quanto na moralidade cultural. Analogamente, no Brasil, quando se observa a instabilidade política hodierna configura-se uma premissa de conformidade com a definição do sociólogo. Dessa forma, não só o Estado, como também a falta de senso crítico dos cidadãos solidifica tal mazela.

A princípio, é fulcral pontuar que o descaso estatal é uma causa inerente da problemática. Nesse sentido, segundo Thomas Hobbes, contratualista inglês, o Estado é responsável em assegurar a ordem social e política da população. Contudo, na prática, tal perspectiva não é ratificada, pois, as situações vigentes causam o comprometimento do bem-estar das pessoas, em que estes estão sujeitos à fragilidade econômica, social e política, o que, consequentemente, falha no cumprimento do “Contrato Social” e na escolha íntegra de um governador que reverta o empecilho.

Além disso, vale ressaltar a apatia social no que concerne à prosperidade do entrave. Nesse viés, de acordo com a escritora Hannah Arendt, em “A banalidade do mal”, o resultado do processo de massificação da sociedade formou indivíduos incapazes de realizar julgamentos morais, o que os tornaram alienados e aceitando cenários sem questionar. Esse panorama, analisado pela pensadora, justifica o comportamento das pessoas diante dos efeitos da instabilidade governamental, já que é justamente a habitualidade frente à questão que a intensifica no corpo social brasileiro, visto que, no contexto discorrido, o surgimento de um “herói” radical e patriota pode se tornar facilmente realidade.