Os perigos da instabilidade política e o surgimento de um herói patriota
Enviada em 16/05/2022
Super-Homem, Capitão América, Mulher Maravilha. Esses são exemplos de filmes de super-heróis que possuem sempre o mesmo enredo: o mundo mergulhado em um completo caos e apenas um único ser com poderes excepcionais é capaz de resolvê-los. Na vida real, infelizmente, não existe esses seres para solucionar todos os problemas, entretanto, em momentos de instabilidade política, a idealização popular de um herói patriota reacende, em virtude da simplificação da solução somada com uma crença enraizada.
Primeiramente, no cotidiano desigual em que as pessoas estão submetidas, os indíviduos já possuem inúmeras adversidades para contornarem diariamente. Nesse sentido, o livro Quarto de despejo, de Maria Carolina de Jesus, deixa nítido como é difícil a vida dos favelados, normalmente, por causa da desigualdade social. Contudo, em momentos de crises políticas, em que o atual quadro se agrava, é fácil perceber a necessidade dessas pessoas em acreditar em falsos salvadores da pátria que se utilizam do sofrimento alheio para alcançarem o poder. Logo, esses heróis patriotas fingem ser a solução mais rápida para o momento conturbado.
Ademais, é um pensamento antigo que governantes possuem qualidades que os assemelham a heróis. Sob esse âmbito, desde o absolutismo, que teóricos defensores desse modelo, como Jacques Bossuet, defendiam que o rei era emanado de Deus, logo, desobedecer um monarca era desobedecer Deus. Dessa maneira, dependia de uma única pessoa resolver todos os problemas do reino. Embora o absolutismo tenha acabado, essa crença em profetas de Deus continua persistente em sociedades profundamente religiosas.
Portanto, em períodos turbulentos de estabilidade política, as pessoas ficam suscetíveis a acreditarem em um discurso falacioso de um suposto salvador da pátria. Para reverter esse quadro, é necessário que o Ministério da Educação apoiado pelo Legislativo - que serve para balancear o poder executivo - renove a base comum curricular, por meio da adição de aulas de Política em todas as escolas, desde o ensino fundamental, para formar uma nova geração de adultos que conheçam todos os mecanismos políticos. Espera-se, assim, que os novos adultos críticos deixem os heróis patriotas apenas para os filmes hollywoodianos.