Os perigos da instabilidade política e o surgimento de um herói patriota
Enviada em 29/09/2022
O historiador José Murilo de Carvalho defende a importância da cidadania na sociedade, pois ,segundo ele, por meio dela as pessoas podem usufruir de seus direitos fundamentais, além de que essa demonstra a efetuação do papel do Esta-do: ordenamento social e bem-estar comum. A partir disso, a instabilidade política na nação, configura como um fator que impede a efetivação de um país democrá-tico, resultando na configuração composta por pseudocidadãos. Diante desse cená-rio, é necessário analisar os perigos que essa falta de estabilidade conferem: o aumento da inflação no país, além do possível surgimento de um herói patriota.
Em um primeiro aspecto, é importante pontuar que, a economia mundial é dire-tamente afetada pelas relações diplomáticas entre nações e pela atuação dos três poderes -Executivo, Legislativo e Judiciário- em cada país. A título de exemplo, en-contra-se a guerra entre a Ucrânia e Rússia que geram uma constante subida no valor do dólar e afetam também a bolsa de valores. Sendo influenciado por isso, o momento de inflação que o Brasil se encontra é o pior desde a criação do plano Real -dado do IBGE-, provando que a economia do território nacional é afetada por instabilidades políticas externas, o que resulta na própria inconsistência.
Sob outra ótica, a partir de uma conjuntura instável, políticos se aproveitam para surgirem como heróis patriotas e conquistarem poder. Nessa perspectiva, a antro-póloga Lília Schwarcz, defende que, devido as forças de instituições nacionais se-rem corrompidas pelo patrimonialismo (cultura de gerir o Estado como patrimônio privado), a elaboração de políticas públicas fica comprometida. Essa situação foi observada no governo de Getúlio Vargas , o qual, se aproveitou da inconstância brasileira para se eleger e realizar ações que o favorecessem.
Portanto, ao retomar o aspecto supracitado, percebe-se que algo precisa ser feito para mudar tal realidade. Logo, o Poder Legislativo Federal deve construir vários mecanismos para erradicar o patrimonialismo estatal, por meio da fiscalização pre-cisa da atuação do Poder Executivo, e da criação de leis que o regulem, assim como está previsto na Carta Magna. Aliado a isso, urge ao Ministério das Relações Exte-riores controlar o impacto gerado no Brasil pelos acontecimentos internacionais. Com essas ações, a cidadania política defendida por José Murilo não será afetada.