Os perigos da instabilidade política e o surgimento de um herói patriota

Enviada em 08/11/2022

Nas primeiras décadas do século XX, surgiu na Europa o Fascismo, em que líderes nacionalistas chegaram ao poder por via democrática, mas, num contexto de crise econômica e nacionalismo extremado, implantaram ditaduras totalitárias. Para que a história não se repita, a consagração de líderes extremistas deve ser evitada. Trata-se de um fenômeno que tem como causas a imaturidade da democracia e a falta de credibilidade nas instituições políticas.

Diante da curta duração do período democrático brasileiro, soluções milagrosas tornam-se sedutoras. Um exemplo notável é o do ex-presidente Fernando Collor, cuja consagração nas urnas foi resultado de uma campanha midiática com forte apelo para características pessoais do citado político, à época, exaltado como “caçador de marajás”. Sua eleição demonstrou a ingenuidade do eleitor, iludido pela esperança de soluções para os graves problemas que o país enfrentava, dos quais se destaca a hiperinflação. Nessas circunstâncias, o mandato presidencial se encerrou tão abruptamente quanto o surgimento do “fenômeno”, pelos desvios do governante.

De forma complementar, os inúmeros escândalos de corrupção e má gestão se destacam na história recente do Brasil. Especial referência merecem as ações governamentais no Estado do Rio de Janeiro, em preparação para a Copa do Mundo de Futebol de 2014 e para os Jogos Ollímpicos de 2016, que culminaram com a condenação do Governador do Estado por inúmeros desvios de recursos. Essa situação reforçou o sentimento de incredulidade do cidadão quanto às soluções para os problemas nacionais baseadas nos mecanismos políticos.

Dessa forma, fica evidente a necessidade de se evitar a consagração de lideres extremistas em cargos políticos. Para isso, o Ministério da Educação deve introduzir conteúdo pedagógico relativo a Ciência Política no ensino, por meio da elaboração de diretrizes específicas pelo Conselho Nacional de Educação, a fim de contribuir com o amadurecimento do cidadão, como membro ativo do processo democrático. Talvez assim, o Brasil possa ter instituições mais robustas e imunes a soluções milagrosas.