Os perigos da instabilidade política e o surgimento de um herói patriota

Enviada em 23/06/2023

Em um contexto de mundo globalizado, cada vez mais é necessária uma figura política forte a qual, além de representar os interesses da nação, restaure o bem-estar da sociedade. Porém, a polarização social implica o conflito de interesses e, por consequência, a instabilidade política : o viés político é reflexo das interações da coletividade em um país. Desse modo, há um perigo ligado ao surgimento de heróis patriotas, pois esses não são produto das necessidades comuns , mas sim de vontades divergentes - e individualistas - da população. Por conseguinte, a educação política é essencial para evitar a ascensão desses representantes.

Inicialmente, é fulcral ressaltar o papel da sociedade para a correta atuação dos políticos por ela eleitos, pois, em um estado democrático de direito, à comunidade é dado o poder de decisão quanto aos representantes. Esse contexto é reforçado pela teoria política de Thomas Hobbes, filósofo, a respeito do contrato social, no qual o poder do Leviatã, o governante, é o reflexo da força social. Nesse aspecto, a instabilidade política é resultado de uma sociedade instável e conflituosa, cujos interesses não podem resultar na escolha de um político versátil, mas sim tendencioso, o herói patriota. Dessa maneira, a figura heroica surge para salvar o individulismo de apenas uma parte da população.

Ademais, a orientação política de quaisquer cidadãos é direito de expressão constitucional e deve ser respeitada. Entretanto, requer-se cautela em tempos nos quais há instabilidade política , uma vez que os interesses estão sujeitos à ilusão de uma figura patriota apelativa. Sob esse viés, aplica-se a teoria utilitarista de Bentham, filósofo, a qual determina o que é certo por meio de uma visão subjetiva e não pelo que é naturalmente correto, por exemplo, a escolha de um líder por conveniência em vez de por benefício geral da nação. A partir disso, requer-se uma educação política para evitar que esses representantes subjuguem a sociedade.

Portanto, o Ministério da Educação deve propor projetos de educação política nas escolas, visto que essas instituições são formadoras de cidadãos, por meio da base nacional curricular comum, com a finalidade de erradicar o analfabetismo político e de evitar a ascensão de figuras patrióticas incompatíveis com o bem-estar geral da sociedade.