Os perigos da prática de greenwashing no contexto organizacional

Enviada em 21/09/2024

A Constituição Federal (CF) assegura direitos fundamentais à vida digna de seus cidadãos. Porém, os perigos da prática de greenwashing no contexto organizacio- nal e suas consequências, como a ludibriação do público e descredibilização das empresas comprometidas com o meio-ambiente, interferem no sistema harmônico do Estado brasileiro. Dessa forma, para mediar a conjuntura, é imprescindível enunciar os pilares da adversidade: o fator social e a ineficácia governamental.

Assim, de acordo com Pierre Bourdieu: “não há democracia efetiva sem um verdadeiro crítico”. Sob tal perspectiva, no Brasil, a passividade na reflexão crítica das pessoas sobre o poder enganador inserido na prática imoral do greenwashing destoa do progresso bourdieuseano e, com efeito, forma cidadãos sem interesse em resolver a matriz do imbróglio ao não perceberem que estão sendo ludibriadas. Consequentemente, devido a sociedade não perceber o caráter falso das propa-gandas, que utilizam-se de brechas na legislação, o tecido social se mantem inerte para com a problemática, solidificando os impactos negativos do greenwashing que são o engano e a descredibilidade das empresas que lutam verdadeiramente por melhorias no meio-ambiente. Dessa maneira, a ausência de autocrítica funciona para a intensificação das atitudes imorais utilizadas no greenwashing.

Ademais, convém destacar as falhas estatais. A esse respeito, John Rawls, na teoria do Pacto Social, enfatizou o Estado como mantenedor do bem-estar coletivo. Contudo, os impactos do greenwashing contrastam com a tese do autor, uma vez que o governo do Brasil parece não se preocupar com o enredo, tendo em vista a sociedade estar cega para com a causa, fazendo do governo único agente capaz de modificar a visão social ao escancarar a verdade sobre as práticas capciosas das empresas que utilizam-se do greenwashing. Com isso, é inadmissível a inoperância das esferas de poder no que tange à mitigação do viés.

Portanto, entende-se que o greenwashing é obstáculo intrínseco de raízes culturais e governamentais. Logo, o Ministério das Comunicações, por intermédio de programas midiáticos, deve discutir o assunto, expondo as sequelas do problema ao convidar advogadas para apresentarem uma visão crítica e orientar os espectadores a respeito do impasse discutido.