Os perigos da prática de greenwashing no contexto organizacional

Enviada em 27/09/2024

Segundo o princípio da responsabilidade de Hans Jonas, os recursos da natureza devem ser usados de tal forma que as próximas gerações ainda possam usufruir deles. No entanto, tal máxima não tem sido cumprida no Brasil, visto que a prática de greenwashing ainda é utilizada para mascarar processos nocivos ao meio ambiente. Nesse sentido, a priorização de interesses financeiros e a negligência estatal são fatores determinantes para o problema.

Em primeiro plano, cabe destacar que a prevalência de interesses lucrativos contribui para que as empresas enganem o público sobre a sustentabilidade de seus produtos. Segundo Bauman, os valores da sociedade estão sendo consumidos pela lógica de mercado. Tal ideia pode ser associada à realidade brasileira, na qual empresas utilizam falsamente conceitos como “biodegradável” ou “sustentável” para vender seus produtos e, assim, a ética socioambiental é desrespeitada. Então, pela lógica capitalista, o setor empresarial visa reduzir custos e ampliar os lucros ao máximo, fazendo uso de procedimentos que prejudicam o meio ambiente e, ao mesmo tempo, anunciando seus produtos como “ecológicos” para lucrar mais.

Além disso, a omissão governamental acerca da questão também deve ser ressaltada. De acordo com uma pesquisa do Instituto de Defesa do Consumidor, dentre 509 embalagens analisadas, quase metade havia passado pelo greenwashing. Com isso, entende-se que a fiscalização da publicidade tem sido insuficiente, já que há um número considerável de rótulos enganosos pelo país. Consequentemente, os produtos realmente sustentáveis perdem espaço e recursos, ao passo que aqueles que são danosos ao meio ambiente crescem exponencialmente. Logo, é preciso reforçar a fiscalização para tais itens, a fim de evitar sua propagação.

Portanto, medidas devem ser tomadas para mudar o status quo. Diante disso, o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária deve, por meio de investimento financeiro por parte do governo, promover fiscalizações que verifiquem a veracidade de empresas que alegam serem sustentáveis. Tal ação tem como objetivo combater o greenwashing e permitir que as práticas verdadeiramente sustentáveis tenham mais visibilidade.