Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 07/05/2018
Os perigos das “fake news” na opinião pública
Segundo o pensamento do físico alemão Albert Einsten, a forma como as pessoas estão acostumadas a ver o mundo causa problemas que serão impossíveis de resolver sem que haja uma mudança no próprio modo de pensar. Nesse contexto, a propagação de “fake news” é extremamente perigosa já que tem o potencial de reforçar opiniões e preconceitos sobre fatos, pessoas e grupos, valendo-se da facilidade com que informações são divulgadas na internet e nas redes sociais.
Observa-se que as notícias falsas podem influenciar processos políticos importantes com impactos ao redor do mundo. Isso ocorre em função da tendência das pessoas de seguirem um grande influenciador ou mesmo uma determinada ideologia, sem que essa decisão passe, necessariamente, por uma reflexão individual ou uma análise crítica das informações. Exemplo disso é a notícia disseminada pelas redes sociais na campanha pelo “Brexit” de que a permanência do Reino Unido na União Européia custava aos cofres britânicos aproximadamente 350 milhões de libras por semana, o que era falso. Como resultado, muitos britânicos acreditaram nessa mentira e votaram pelo desligamento do acordo europeu.
Outro perigo trazido pelas “fake news” é a desqualificação de qualquer notícia verdadeira publicada nas mídias atribuindo-as falsidades. Com efeito, muitas vezes notícias baseadas em fatos e dados comprovados são rechaçadas através da simples acusação de que tal notícia é falsa, não utilizando nenhum contra argumento lógico que preze pela honestidade intelectual. Tal faceta foi experimentada em 2016 nas eleições dos Estados Unidos à presidência, em que o então candidato republicano Donald Trump desqualificou jornais, redes de televisão e rádio afirmando que esses meios de comunicação publicavam mentiras sobre seu projeto de governo e suas ideias. Tudo isso gera uma desconfiança dos meios de comunicação oficiais por parte da população, que acaba convencida pelas notícias que simplesmente confirmem seu próprio entendimento de mundo.
Diante dos fatos expostos, medidas devem ser tomadas para atenuar os perigos das “fake news” na era digital. Para isso, o Governo deve incentivar a criação de agências de checagem de fatos através de benefícios fiscais e investimentos financeiros para que elas desempenhem o importante controle social sobre as notícias vinculadas na internet, diminuindo o tempo que mentiras ficam disponibilizadas na rede e, consequentemente, reduzir os efeitos danosos no acesso à informação de qualidade. Além disso, cabe ao Congresso Nacional a criação e fiscalização de leis que puna com pagamento de multas e restrição de direitos quem cria ou divulga notícias que sabidamente eram falsas.