Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 08/05/2018

“O rumor é a mais veloz das pragas malignas”. A máxima do poeta romano Virgílio, aplicada em sua epopeia “Eneida”, reflete, cerca de dois milênios depois, a problemática da disseminação de informes falaciosos na contemporaneidade. Esses, por sua vez, apresentam riscos que consistem, mormente, na alienação de direitos fundamentais do ser e na sua intervenção maliciosa em fatores sociopolíticos nacionais.

Sob ótica desse panorama, pode-se citar, a princípio, que as chamadas “Fake News” concorrem para o perpasse de valores institucionalizados em prol do indivíduo. Isso sucede pois, contrariando o cânone do Código Penal Brasileiro, essas são fomentadas utilizando a degradação de figuras públicas ou comuns. Essas ações, por conseguinte, fomentam atos de retaliação e violência. O caso de Fabiana de Jesus, assassinada no ano de 2014, após a disseminação de boatos acerca de sua conduta, atesta os desdobramentos dessa conjuntura. Nesse contexto, acentua-se o caráter malicioso das informações falsas, tal como citou o poeta.

Outrossim, é importante salientar que os informes supracitados influem negativamente nas deliberações relevantes da nação. Isso se dá porque, assemelhando-se aos preceitos utilizados por Goebbles na propaganda nazista, que consistem na reprodução contínua de inverdades com o fito do convencimento, as notícias que circundam os veículos informacionais contemporâneos têm função massificadora de conceitos e opiniões, intervindo diretamente em tópicos nacionais. Assim sendo, sucedidos como a eleição do norte-americano Donald Trump, pautada na divulgação de inveracidades sobre sua oponente em plataformas digitais, são fomentados e, dessa maneira, o quadro virgiliano é realçado.

Em vista desses aspectos, torna-se premente que o Estado, em seu âmbito de defesa civil, desenvolva uma delegacia virtual - cujos custos são ínfimos se comparados às físicas - voltada a investigar crimes relacionados às “Fake News”. Por intermédio do ofício de profissionais qualificados, como sistematizadores da informação, e o apoio popular como delatora dessas práticas, o órgão assumirá a atribuição de combate à essa conjunção. Destarte, será possível mitigar as citações sem veracidade, bem como seu caractere principal, reportado por Virgílio.