Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 12/05/2018
Em meio a segunda metade do século XIX, Nietzsche afirmou que o homem teria criado a existência de um Deus com intuito de buscar refúgio, segurança e proteção, mesmo que não tivesse provas de sua existência concreta. Atualmente, o argumento do filósofo se assemelha ao conceito de pós-verdade, no qual o indivíduo se prende a informações fictícias por elas favorecerem e/ou fortalecerem suas concepções. Todavia, essas atitudes podem desencadear uma série de problemas, logo, é interessante saber suas causas para combater eficazmente os seus efeitos.
Em primeira análise, deve-se direcionar as atenções para o fato de que, na sociedade moderna, a liberdade de expressão e o anonimato nas redes têm sido elementos fundamentais para a propagação de informações falsas. Tais informações podem ser destinadas a indivíduos específicos – para difamar a imagem da pessoa – ou podem ser mais generalizadas – afetando todo um corpo social -. A perpetuação dessas informações se dá pelo imediatismo das relações sociais, conceito proposto pelo sociólogo Zygmund Bauman, o qual evidencia que por haver um fluxo muito intenso das informações, dificulta, para o indivíduo, estabelecer uma maior reflexão sobre os dados recebidos, acostumando-o a utilizar apenas o conhecimento prévio. Desse modo, o indivíduo transmite apenas o que lhe é benéfico, não se importando com a veracidade, o que compromete, também, o seu senso crítico. Em segunda análise, é preciso entender o quão prejudicial podem ser as Fake News e suas consequências na sociedade. Desse modo, vale ressaltar que o Estado brasileiro criminaliza as situações em que se tem a disseminação de notícias que atentem contra um cidadão em específico, constituindo-se como crimes de calúnia, conquanto a pena ainda seja insuficiente para coibir tais práticas. Além disso, a continuidade dessas atitudes revela que a população atual é facilmente manipulada pelas redes, tornando-se fantoches das organizações que prezam pela falsificação de ideias e, ainda, promove uma desinformação na população.
Urge, portanto, que a sociedade e o poder público cooperem para mitigar a realidade daninha trazida pelas Fake News. Assim sendo, é preciso que cada cidadão colabore para manter-se afastado dessas notícias, por meio da análise detalhada das fontes e da observação quanto ao exagero nos fatos, além de evitar o seu compartilhamento. Outrossim, a imprensa, de maior credibilidade, deve alertar, por meio dos Jornais, a existência dessas falsas notícias e expor medidas para que a população evite ser manipulada. É imperativo, ainda, que os demiurgos da justiça tratem de aumentar a dosimetria da pena para aqueles que cometem tais infrações. Poder-se-á, assim, impedir que o país seja alvo das mazelas advindas da alienação social.