Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 07/06/2018
Segundo Joseph Goebbels, ministro de propaganda da Alemanha nazista, “Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”. Paralelamente a isso, nota-se que as fake news disseminam-se nas redes sociais e na mídia devido à alienação dos internautas provocada pela ausência de senso crítico na seleção de informações. Nessa perspectiva, as notícias inverídicas apoiam-se na pós verdade - prevalência de crenças e opiniões sobre fatos - para distorcer percepções públicas e debates políticos. Dessa forma, a adulteração de informações e a difusão de boatos ameaçam a democracia e a formação concreta de opinião, pois agem como discurso de manipulação e controle.
Sob esse viés, em 1937, no governo de Getúlio Vargas, com o objetivo de suspender as eleições presidenciais e firmar poder, houve a difusão do falacioso Plano Cohen, o qual afirmava a implantação do comunismo. Nesse sentido, nota-se que muitos grupos políticos utilizam informações falsas para se beneficiarem e denegrirem a imagem de seus opositores, algo que prejudica a capacidade do eleitor de se informar e entender a realidade, além de ampliar a polarização política e por em risco a ordem democrática. Prova da grande influência das fake news nos rumos eleitorais foi a vitória de Donald Trump após ataques pessoais e dados mentirosos lançados contra Hillary Clinton.
Ademais, o pensamento do sociólogo francês Michel Foucault declara que toda linguagem é capaz de impor verdades ideológicas aos seus interlocutores. Analogamente, percebe-se que o boato utiliza-se do forte caráter apelativo e emocional para atingir o leitor de forma sensacionalista, influenciando a formação de opiniões públicas. Dessa maneira, as fake news podem comprometer a capacidade dos indivíduos em selecionar argumentos autênticos acerca de um tema. Isso fica explícito na pesquisa da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, a qual revela o impacto das notícias falsas na formação do intelecto dos jovens, pois mais de 80% não sabem julgar a credibilidade de uma notícia.
Faz-se necessário, portanto, que o Ministério da Educação promova campanhas de orientação tanto nas escolas quanto nos canais televisivos que alertem a população sobre a importância da checagem de informação. Para isso se concretizar, é preciso não só informações técnicas de como identificar a fake news, mas também é importante que a escola ofereça formação crítica aos jovens em relação ao que leem na internet. A finalidade de tais ações relaciona-se com a compreensão da massa sobre as consequências reais dos boatos sobre a vida democrática, além de potencializar a atenção dos leitores sobre assuntos alarmistas. Por fim, cabe ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), juntamente com a Polícia Federal, fiscalizar candidatos que espalham notícias falsas nas redes sociais, por meio de programas decodificadores, a fim de coibir tal prática e, assim, não interferir em resultados eleitorais.