Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 18/05/2018

No livro “Ensaio Sobre a Cegueira”, escrito pelo autor português José Saramago, há uma metáfora sobre a cegueira moral - falta de empatia -, e o distanciamento dos indivíduos na modernidade. Percebe-se que esse cenário é análogo quando refere-se à “fake news”, já que as pessoas não medem as consequências no momento que disseminam essas notícias, o que acarreta, muitas vezes, indignação por pessoas inocentes. Essa situação fomenta manipulação de informações e, por conseguinte, ameaça à democracia.

É indubitável que boatos sempre existiram, entretanto após a 3ª Revolução Industrial - com o avanço da tecnologia e dos meios de comunicação -, estes espalham-se mais velozmente, o que suscita uma maior manipulação das pessoas, principalmente em redes sociais. Um exemplo dessa forma de conduzir o pensamento alheio é o filme alemão “A Onda”, o qual retrata um professor que por meio de uma didática equivocada, desenvolve nos seus alunos ideais fascistas. Com o tempo, os estudantes geraram uma “bolha” de visão de mundo, excluindo quem pensa diferente. Torna-se evidente, portanto, a facilidade de mudar o raciocínio da população e criar sentimento de ódio. Essa situação somada a rápida propagação de informações, gera alienação ainda mais expressiva, quando relaciona à “fake news”.

Além disso, os pré-candidatos ao cargo público e os indivíduos que os defendem usam da retórica sofista - atentando-se mais em ser convincentes do que propagar a verdade -  como artifício para ganhar votos. Um exemplo foi o pleito de 2016, nos Estados Unidos, envolvendo Donald Trump, acusado de reembolsar “hackers” para disseminarem notícias errôneas contra sua adversária Hillary Clinton. Nessa conjuntura, fica evidente como essas informações podem colocar em risco a lisura das eleições e, consequentemente, a democracia. Ademais, as publicações sensacionalistas dos meios mediáticos corrobora o cenário, pois geram uma polarização, e isso suscita nas pessoas, crença em situações irracionais.

Frente ao exposto, torna-se explícito que as “fake news” são perigosas para a sociedade. Desse modo, cabe ao Legislativo, criar uma proposta de lei pautada no investimento em tecnopolos, os quais criarão o aplicativo, Antifake, que averiguará a verossimilhança em questão e abrirá uma sala de debate com internautas que provem, por intermédios de periódicos científicos, a verdade do fato. Ademais, as emissoras abertas de televisão devem propagar comerciais sobre ações corretas para evitar a disseminação de informações equivocadas. Por fim, as escolas devem distribuir cartilhas a respeito do assunto a seus alunos. Com essas medidas, espera-se a retomada da “visão” das pessoas.