Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 05/07/2018

Na longa-metragem “O Abutre”, a obra retrata a vida de um pseudo-jornalista que não mede esforços para atingir a fama e, para isso, utiliza de diversos artifícios como o sensacionalismo e a fake news. À vista disso, compreende-se a crítica explícita do filme quanto ao perigo das notícias falsas, visto que na atualidade são amplamente difundidas pelos meios de comunicações como se fossem verdadeiras. Nesse sentido, a influência dessa propagação se dá, principalmente, pela alienação das mídias e, também, pela falta de autonomia e pensamento crítico do indivíduo.

Em primeiro plano, em 2014, uma fake news promoveu o linchamento de uma mulher, em São Paulo, acusada de bruxaria e maus tratos à crianças, o que acabou ocasionando sua morte, segundo portal G1. Dessa maneira, segundo o sociólogo Adorno, a mídia cria certos esteriótipos que tiram a liberdade de pensamento do telespectador, forçando imagens, muitas vezes, errôneas, ou seja, indivíduos mal intencionados usam esteriótipos nas redes, como a idealização de bruxaria medieval, para promover notícias, assim como acontece no filme “O abutre”, pois eles sabem que essas imagens construídas socialmente não são contestadas, como, por exemplo, um boato de uma mulher sozinha e introvertida ser uma bruxa ou um homem que se dá bem com crianças ser um pedófilo. Por conseguinte, a alienação junto à falta de autonomia da população acaba por ocasionar óbitos.

Ademais, segundo Zygmunt Bauman e sua teoria “Imediatismo das Relações Sociais”, o intenso fluxo de informações, dificulta a reflexão de dados e reforça o conhecimento prévio. Dessa forma, os meios midiáticos se aproveitam desse bombardeio de notícias para espalhar fake news, assim como a página política do Facebook MBL (Movimento Brasil Livre), a qual foi considerada a maior propagadora de fake news de cunho político entre 2017 e 2018, de acordo com o jornal EXAME. Logo, tanto indivíduos a parte quanto grupos se aproveitam dessa “tática” de alienação para se promoverem em cima de uma falácia e, por causa disso, devem ser punidos severamente.

Entende-se, portanto, a necessidade de se combater os criadores e propagadores dessas notícias, para que se evite-as. Sendo assim, cabe a Polícia Federal, por meio de investimento nas áreas cibernéticas e em equipamentos, como processadores e máquinas, promover treinamento específico para busca de IP’s (identificação de computadores) que vinculam notícias falsas, para que possa identificar o marginal e, assim, se aplicar a punição adequada. Cabe, também, ao Legislativo, por intermédio da aprovação de uma lei específica para fake news, sugerir multas e até penas caso a vítima venha a óbito. Por fim, cabe à Secretaria de Comunicações sociais, promover propagandas publicitárias que conscientizem o corpo social a não compartilhar notícias sem uma fonte confiável.