Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 27/05/2018
“É preciso que na vida você duvide pelo menos uma vez, ao máximo que puder de todas as coisas”, frase esta do filósofo René Descartes que fundamentou o pensamento racionalista, à qual consegue refletir a lógica ideal para analisar as “fake news” que circulam nos meios de comunicação.
Embora a inclusão digital favoreça a sociedade nos mais variantes aspectos, a constante disseminação de falsas notícias de maneira sensacionalista, prejudica a credibilidade de informações lidas online. Não apenas o racionalismo cartesiano, como também Sócrates com a ágora ateniense incentivavam o questionamento máximo das declarações compartidas, se torna progressivamente necessário na plataforma digital devido a essa problemática.
Ademais, a liberdade que é fornecida pela internet de garantir anonimato e, por conseguinte, a ausência de responsabilidade cooperam no aumento de casos que incluem figuras públicas e/ou calamidade que, por sua vez, abalam os receptores de maneira comovedora. Devido a isto, o número de processos judiciais envolvendo o compartilhamento de matérias fraudulentas cresce abundantemente tendo a autoria como um de seus principais empecilhos mas não o único, entre estes está a comercialização de publicações jornalísticas, o sensacionalismo envolto em manchetes e o controle ideológico que os jornais exercem no público.
À vista disso, é correto admitir as “fake news” como contribuintes na construção de uma verdade líquida, isto é, pode ser alterada de acordo com os princípios e ideologias de quem as escreve transformando-as em um instrumento de controle ideológico. Podendo se correlacionar com o pensamento de Nietzsche posto que defendia a inexistência de concreticidade e a existência de diferentes versões de um objeto de estudo, assemelhando-se a “pós-verdade” contemporânea que se respalda prioritariamente em repercussões e crenças pessoais ao invés de réplicas fatídicas.
Isto posto, o cenário das mídias sociais carece prementemente de medidas para solucionar os empecilhos que esta problemática carrega, logo, cabe ao Governo em sua forma de Poder Legislativo aprovar o projeto de lei tramitante acerca da criminalização da propagação de notícias falsas a fim de facilitar a punição do autor do suposto crime. Nada obstante, concerne ao setor midiático a realização de campanhas publicitárias orientando os usuários sobre como diferenciar uma matéria jornalística incerta de uma verídica através das fontes apresentadas e os dados contidos nesta coadjuvando na diminuição de casos judiciários envolvendo informações duvidosas. Conquanto a ágora ateniense seja um simbolo histórico da democracia e debate, as discussões existentes no séc. XXI nas redes sociais tornam o conceito de evolução, anacrônico.