Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 18/06/2018

Segundo o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, a sociedade moderna, assim como o líquido, nunca está presa a uma única forma, mas conserva algumas características. Desse modo, quando se observa a propagação de notícias falsas, as chamadas “fake news”, no Brasil atual, verifica-se que, apesar de a internet ter ampliado o acesso à informação, a mídia é historicamente utilizada como meio sensacionalista e difamatório.

É indubitável que a questão constitucional e sua aplicação estejam entre as causas do problema. De acordo com o filósofo grego Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. Por conseguinte, é possível perceber que, no Brasil, a divulgação de notícias falsas rompe essa harmonia, haja vista que, em 2017, uma blogueira gravou um vídeo afirmando que o doutor Dráuzio Varella teria associado a realização de mamografias ao câncer da tireóide, notícia desmentida pelo médico.

Outrossim, destaca-se o atual ambiente de polarização ideológica na internet, que faz com que a reação seja mais relevante que o fato. Com isso, os principais responsáveis pela propagação das “fake news” são os próprios internautas, que repassam informações sem averiguar sua veracidade, seja para reforçar um ponto de vista, seja para suscitar discussões em redes sociais. Essa situação é alarmante, pois prejudica o acesso à informação e provoca uma crise de confiança nos meios midiáticos.

É evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem à construção de um mundo melhor. Destarte, o Ministério da Justiça deve criar uma comissão para elencar sites confiáveis, punindo quem se utiliza da mídia para difamação e polarização da opinião pública. Como já dito pelo pedagogo Paulo Freire, a educação transforma as pessoas, e essas mudam o mundo. Logo, o Ministério da Educação deve instituir, nas escolas, palestras ministradas por advogados, que discutam o combate à propagação de notícias falsas. Desse modo, as mudanças sociais prevalecerão frente às permanências na Modernidade Líquida.