Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 20/06/2018
A publicação de notícias falsas ao redor do mundo não é nenhuma novidade. No Brasil, durante o período Joanino, a criação dos primeiros jornais, como a Gazeta do Rio de Janeiro, veio acompanhada de recorrentes notícias falsas sobre o Império e a Corte, a fim de manipular a massa desinformada. Atualmente, com o desenvolvimento da Internet de alta velocidade aliada às redes sociais, a proliferação das ‘Fake News’ alcançou dimensões extremamente perigosas. Desde mentiras banais até ataques específicos à pessoas e empresas ou até mesmo para alterar as eleições de um pais, o que demonstra a urgência para mitigar esse tipo de prática.
Em primeiro lugar, o despreparo da população acerca das ‘Fake News’ é aproveitado por pessoas ou grupos de má fé, que atacam alvos específicos por motivos pessoais ou econômicos. Nesse sentido, vale destacar o caso que ocorreu em 2014, no Guarujá, a qual após a divulgação de boatos pessoais, uma mulher foi morta pelos moradores da região. Além disso, em 2013, a divulgação de que foi encontrado um rato morto na garrafa de Coca-Cola, que só depois de semanas foi declarada falsa, trouxe prejuízos enormes para a empresa, que teve sua imagem e reputação prejudicadas mesmo depois da resolução do caso, haja vista que nem todos que leram a ‘Fake News’ souberam do desfecho, criando-se assim um grande vestígio de desinformação.
Em segundo lugar, é necessário evidenciar a grande ameaça à democracia representativa no Brasil. Como dizia Winston Churchill “Não existe opinião pública, existe opinião publicada”. Sob essa ótica, vale destacar que nos EUA, o presidente Trump é acusado de ter utilizado ‘hackers’ russos para espalharem mentiras e omitir verdades, e assim vencer as eleições. Nessa perspectiva, o Brasil corre risco nas próximas eleições de ser prejudicado pela divulgação de notícias falsas acerca das ações de diversos candidatos, com o intuito de manipular a população e consequentemente fraudar as eleições em visa de criar benefícios escusos à uma minoria, o que caracteriza um duro golpe à democracia.
Fica evidente, portanto, a necessidade de combater essa prática. Cabe ao Poder Legislativo, aprovar o projeto de lei que criminaliza a divulgação de informações falsas. Ademais, aumentar a verba relacionada à segurança digital em parceira público-privada com as empresas de comunicação, para criarem ferramentas de detecção de ‘Fake News’ nos maiores sites de comunicação e aplicativos de celular. Além disso, para as próximas eleições, cabe ao Tribunal Superior Eleitoral, a criação de um site chamado ‘Caça aos Fakes’, onde o governo e os próprios eleitores irão destacar as informações falsas coletadas acerca dos candidatos, para que os eleitores fiquem cientes das diversas armadilhas causadas pelas informações mentirosas e assim diminuir os perigos que as ‘Fake News’ podem causar.