Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 18/06/2018
Adenoid Hynkel, personagem de Charlie Chaplin no filme “O Grande Ditador”, expõe em seu discurso final sua visão de que, apesar de a inteligência humana ter sido capaz de desenvolver tecnologia, a ganância tornou o homem cínico e a vida violenta. Nesse viés, apesar de a obra ter sido produzida na primeira metade do século XX, a fala de Hynkel parece dialogar com o cenário atual, visto que os indivíduos têm utilizado, cada vez mais, os canais criados pelo homem para difundir notícias falsas com o intuito de garantir seus interesses, seja no ramo da política, seja no contexto social.
Em primeiro lugar, convém ressaltar que, segundo a “Teoria dos Ídolos” de Francis Bacon, é dever do pesquisados transmitir informações de maneira objetiva. Contudo, pesquisas da Universidade de São Paulo mostram que as primícias baconianas não são seguidas no contexto político, uma vez que, apenas no mês de junho de 2017, foram encontradas mais de 500 páginas digitais divulgando conteúdo político falso ou distorcido. Assim, o autor Luís Fernando Veríssimo, ao dizer que “muitas vezes a única coisa verdadeira em um jornal é a data”, representa toda a manipulação de notícias por parte da imprensa, que visa beneficiar candidatos e políticos por meio da alienação social.
Em segunda instância, é notório o poder que a mídia exerce sobre a comunidade atual. Nesse contexto, insere-se o pensamento de Guy Debord, que explicita em seu livro “A Sociedade do Espetáculo” a existência de um manuseio de informações, com o fito de difundir uma imagem de passividade nos ramos da arte, da economia e da vida cotidiana, a fim de evitar reações e desejo de mudança por parte do corpo social. Dessa maneira, as “Fake News” são usadas como forma de ludibriar os cidadãos e ocultar os problemas nacionais, pra que seja suprimido todo o desejo de mudança que possa surgir mediante o atual contexto brasileiro.
Mediante o exposto, faz-se necessária a adoção de medidas que solucionem o problema vigente. Destarte, é conveniente que a população crie fóruns virtuais, que tenham como função buscar notícias em fontes confiáveis, pesquisar sobre a veracidade dos dados relatados nos veículos midiáticos e divulgar as reais informações ao povo, para que os cidadãos não fiquem alheios à realidade do país. Outrossim, cabe à mídia apresentar caráter objetivo e imparcial na transmissão de notícias e evidenciar matérias que representem as várias vertentes de um acontecimento; ademais, cabe aos responsáveis pela indústria midiática, não se associarem a partidos políticos, para que não haja a divulgação de falsas notícias em benefício desses. Quem sabe assim, por meio da extinção das “fake news”, a supremacia da ganância, relatada no filme de Chaplin, dê lugar à veracidade e ao compromisso com o real.