Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 24/06/2018

O escritor Euclides da Cunha, em Os Sertões, disse: “o sertanejo é antes de tudo um forte”. Essa citação reflete intrinsecamente o objetivo literário do autor de redimir o povo de Canudos das negligências de uma República que há pouco se instituíra. Por esse viés, trata-se de um exemplo de combate a “fake news”, as quais coexistem consoante à história do Brasil, porém, hodiernamente, ganharam uma alta magnitude. Nesse sentido, é mister debater os seus principais fatores e possíveis medidas relacionadas à resolução dessa questão, a qual age em função do caos.

Mormente, ao discorrer-se acerca de tal problema a partir da historiografia brasileira, depreende-se a perpetuação da manipulação da informação, cujo objetivo é atender aos interesses de uma elite. Prova disso, é, no último período da Era Vargas denominado Estado Novo, a criação do Departamento de Imprensa e Propaganda, o qual focava em coibir qualquer instrumento de oposição à ditadura, bem como, fortalecer a imagem de um líder por intermédio da alienação imposta, sobretudo, às crianças por meio de cartilhas. Assim, é alarmante a escassez de políticas públicas que pautem a defesa de uma imprensa voltada aos ideais de honestidade e de veracidade no que concerne ao repasse dos fatos.

Concomitante ao debate histórico, o compartilhamento de “fake news” gera implicações no cotidiano de todos os indivíduos. Acresce que, segundo um dos axiomas defendidos pela Sociologia, o ser humano é puramente social. Desse modo, necessita comunicar-se com os demais. Posto isso, já defendia o teórico canadense Marshall McLuhan, na década de 1960, que os meios de comunicação eram extensões dos sentidos humanos, uma vez que podiam fornecer à humanidade o alargamento de suas relações. Dessa forma, é lamentável que as redes sociais propaguem informações pejorativas ao invés de cumprirem com a função primordial para qual foram projetadas.

O combate a “fake news”, portanto, reivindica medidas mais efetivas para sua completa erradicação. Destarte, o Governo deve investir, nas figuras dos Ministérios da Educação e Transparência, em campanhas e projetos por meio de palestras de conscientização sobre o papel da imprensa e da veracidade da informação, com o apoio de entidades e da comunidade civil no que se refere à fiscalização e manutenção do direito à liberdade de expressão. Espera-se, com isso, que a sociedade dirima tal mazela da sua estrutura.