Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 20/10/2026

A Constituição Federal de 1988 — norma de maior hierarquia do sistema jurídico brasileiro — assegura o direito à informação, que deve ser garantido por normas governamentais efetivas. No entanto, ao observarmos os perigos das Fake News na era da informação, é notório que a realidade do Brasil está distante do cenário previsto no documento. Nesse contexto, é necessário analisar tanto a diminuição do público leitor quanto a insuficiência estatal como causas do problema.

Diante desse cenário, a diminuição do público leitor fragiliza o combate a notícias falsas no Brasil. Acerca disso, o educador Paulo Freire, em Pedagogia da Autonomia, afirma que a curiosidade ingênua do estudante deve ser transformada em curiosidade crítica e investigativa. Entretanto, essa realidade não se concretiza plenamente na sociedade brasileira, sobretudo diante da redução do hábito de leitura, fenômeno que enfraquece o pensamento crítico e torna a população mais suscetível a Fake News. Dessa forma, esse cenário dificulta a análise da veracidade de informações, uma vez que a falta do pensamento crítico pode fazer indivíduos compartilharem conteúdos sem antes verificar a procedência. Isso ocorre porque a redução do hábito da leitura reduz o contato com diferentes ideias, diminuindo as oportunidades de exercício da interpretação crítica.

Além disso, a insuficiência do Estado em combater notícias falsas nas redes sociais constitui outro entrave à democracia. Sobre isso, o filme Dilema das Redes retrata como o algoritmo das redes sociais cria as “bolhas de informação”, nas quais os usuários só veem pontos de vista que reforçam suas próprias opniões, acelerando a desinformação, a polarização política e a instabilidade democrática. Nesse sentido, a ineficiência do governo em regulamentar as redes contribui para a desinformação, visto que as Big-Techs nem sempre priorizam a veracidade dos conteúdos publicados nas plataformas, aspecto retratado no documentário. Isso ocorre porque as grandes empresas de tecnologia usam os algoritmos para impulsionar conteúdos que geram forte reação emocional, como a raiva e a indignação, uma vez que conteúdos capazes de despertar emoções intensas podem manter os usuários engajados por mais tempom, gerando maior engajamento e favorecendo a circulação de informações enganosas.