Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 25/06/2018
Durante a Antiguidade, em Atenas, os pensadores sofistas manipulavam o povo através de discursos com “verdades absolutas”, os quais não eram questionados por essa massa. Nesse sentido, atualmente, no Brasil, não é diferente, visto que é corriqueira a disseminação de notícias falsas, sem fiscalização da sua veracidade, o que acarreta graves consequências. Isso se dá, principalmente, em virtude da negligência estatal e da população.
Em primeiro plano, é possível afirmar que o avanço das comunicações tem dificultado o controle da autenticidade de tantas informações em um curto espaço de tempo. Aliado a isso, ainda há a ausência de senso crítico das pessoas que não se interessam em checar as fontes dos dados que encontram. Assim, boatos são confundidos com notícias verdadeiras. Como resultado, as vítimas das “fake news” (informações falsas) são bastante afetadas psicologicamente, ou até mesmo, fisicamente. Prova disso é o que aconteceu em São Paulo com Fabiane Maria, no ano de 2014, que foi espancada até a morte após ser confundida, através de uma falsa informação, com uma suposta sequestradora de criança. Dentro dessa lógica, há uma dificuldade no que diz respeito à interação dos indivíduos em sociedade, comprometendo a resolução do problema apresentado.
Nesse aspecto, os direitos básicos a todos os cidadãos, como a liberdade e a segurança - assegurados pela Constituição de 1988 - são desrespeitados em razão de serem apresentados apenas teoricamente, o que comprova a escassez da presença estatal nas medidas preventivas e no combate às “fake news”. Sob esse viés, assim como cita o físico e iluminista Isaac Newton, é preciso inserir uma força externa, com a finalidade de modificar o estado de repouso de um corpo. De modo análogo, o Estado deve ser tal agente encarregado de alterar a inércia dessa situação problemática, por meio de uma urgente e planejada interferência, com o intuito de garantir a tranquilidade do corpo social.
Torna-se evidente, portanto, que, no Brasil, as chamadas “fake news” acarretam intensos prejuízos que precisam ser enfrentados. Dessarte, para que isso ocorra, cabe ao Ministério da Educação, aliado às esferas estaduais e municipais, elaborar um projeto educacional que introduza em todas escolas do país, desde o ensino fundamental, uma matéria específica responsável por ensinar os alunos a maneira correta de filtrar uma informação e identificar se a mesma é verídica. Para tanto, esse necessita ser auxiliado por profissionais especializados que exploram o senso crítico dos estudantes através de debates, a fim de evitar a disseminação de mentiras, além de criar uma cultura de questionamento entre os mesmos. Afinal, através dessa alternativa, gradativamente as notícias falsas não serão mais um problema no Brasil, assim como eram no passado.