Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 28/06/2018
Nos tempos do hipertexto, no qual o leitor torna-se um autor livre para criar suas sequências textuais em pesquisas na internet, a veracidade das informações veiculadas está cada vez mais ameaçada. São matérias, referências e imagens compartilhadas no meio virtual sem qualquer julgamento prévio, o que facilita a disseminação de conteúdo inverídico e caluniador. Em pleno século do avanço tecnológico e cibernético, os meios de comunicação estão sendo manipulados por interesses políticos, econômicos ou sociais, deturpando o objetivo da internet moderna.
É interessante ressaltar que, a difusão de boatos falsos ou exagerados não é recente, porém, passou a assumir o caráter praticamente instantâneo nas redes sociais. Segundo um artigo publicado na revista Science, as notícias falsas são compartilhadas 70% a mais do que as verdadeiras, isto é, devido a possibilidade de anonimidade, o conhecimento para criar matérias chamativas e tendenciosas têm sido praticado para disseminar conteúdos com algum objetivo político ou econômico. Todavia, mesmo que o fluxo acelerado de informações venha a facilitar a dispersão de notícias falsas, essa problemática deve ser relacionada também com a cultura e a falta de interpretação textual dos leitores virtuais.
Sob essa perspectiva, o Dicionário Oxford consagrou o termo “pós-verdade” referindo-se à realidade moderna de que os apelos às emoções e crenças pessoais importam mais do que fatos verídicos. Portanto, esse novo termo corrobora com o fato de que as notícias que conversam com a ideologia ou com o interesse do leitor, vão ser compartilhadas indiscriminadamente, formando verdadeiras bolhas aglutinadoras de opiniões em comum, baseadas em matérias vazias.
Em síntese, é necessário um grande esforço das instituições jornalísticas e da sociedade para irromper o fluxo de compartilhamento de notícias falsas, extremamente nocivas à integridade social. É necessário, portanto, o apoio financeiro dos Governos Federais ao jornalismo investigativo e os sistemas de checagem de fatos, com o intuito de oferecer ao leitor informações verídicas. Além disso, deve ser responsabilidade dos meios de comunicação tradicionais, como televisão e rádio, a orientação para a identificação e a denúncia de “fake news” por parte da população. Devem também ser aplicadas e elaboradas, pelos órgãos institucionais, leis que se enquadram nas particularidades do mundo virtual, com protocolos de atuação em casos de anonimidade e compartilhamento de notícias falsas. Dessa forma, a internet e seus usuários passarão a ter garantia quanto ao direito pelo acesso a informação imparcial e fidedigna.