Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 29/06/2018

Para Buckminster Fuller, a humanidade adquiriu a tecnologia certa por razões erradas. De fato, propagar notícias falsas por meio das redes sociais tem gerado problemas. Desse modo, o declínio do senso crítico e a expansão da cultura do ódio são ameaças que comprovam o comentário do escritor. Dessarte, é preciso avaliar os fatores que favorecem esse quadro, além do papel do corpo social nessa questão.

É notável a conquista da democratização da internet, no entanto, a escassez do ato de refletir durante a leitura é um fenômeno em ascensão. Prova disso é a famosa frase “se está na internet é verdade”. Um engano, posto que ela é um espaço popular, na qual muitos indivíduos são capazes de expressar suas perspectivas acerca de um fato. E apresentar uma opinião ligada a ele é comum no mundo globalizado, uma vez que a construção da identidade, muitas vezes, depende da capacidade de demonstrar seu ponto de vista sobre o que acontece ao seu redor. No entanto, não deve-se acreditar em uma premissa sem antes ponderar sobre, afinal, o ser humano diferencia-se dos demais animais pela capacidade de raciocinar e não fazer uso dela é abrir mão da própria humanidade. Por conta disso, é imprescindível um olhar crítico durante a leitura para que menos pessoas sejam afetadas pelas fake news.

Ademais, o hábito de exteriorizar o ódio por meio das redes sociais, está intrinsecamente ligado aos perigos das notícias falsas. Um exemplo disso é o caso de Fabiane de Jesus que, em 2014, foi linchada e espancada até a morte após sua foto ser compartilhada no Facebook como uma possível sequestradora de crianças. Tal acontecimento evidencia a reação exasperada dos indivíduos ao lerem manchetes alarmantes, nas quais causar fúria e espanto são preferidos a passar informações embasadas e relevantes.

Portanto, medidas coletivas são necessárias para alterar esse cenário. O Ministério da Ciência e Tecnologia deverá promover um comitê especializado em localizar os principais emissores de fake news por meio das redes sociais, a fim de abafar informes enganosos para não permitir que cheguem à população. Essa tem o papel de evitar compartilhá-las sem ter ciência de sua veracidade e buscar fonte múltiplas e confiáveis de uma mesma notícia. Tal medida afetará, indiretamente, a segurança pública, pois os mecanismos de divulgação serão examinados, logo, impedirá pessoas de cometerem atrocidades em momentos de furor perante destaques sensacionalistas.  A partir dessas ações, a internet tornará-se um sítio de conhecimentos e não de perigos.