Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 29/06/2018

Em sua Alegoria da Caverna, o filósofo Platão demonstra que as pessoas são corrompidas pelas aparências do mundo sensível (metaforizadas pelas sombras no interior da caverna), não sendo capazes de enxergar a verdade. Atribuindo esse pensamento para o atual contexto da era digital, percebe-se que a alegoria platônica atinge um novo patamar: a disseminação de “fake news”. Sobre os perigos dessa realidade moderna, vale destacar a pós-verdade e a difamação social.

Em uma primeira análise, é necessária a compreensão de que as notícias falsas, na maioria das vezes, utilizam mecanismos sensacionalistas e assumem um caráter ideológico, visando atrair o maior número de pessoas possível. Consequentemente, ocorre o fortalecimento da pós-verdade (valorização das emoções em detrimento da realidade) na propagação de notícias, pois os indivíduos, sem se preocuparem com a veracidade daquilo que compartilham nas redes sociais, acabam agindo de acordo com suas opiniões e emoções. Desse modo, as escolas possuem um papel fundamental nessa questão, pois podem promover atividades que visem ensinar aos jovens a diferenciar notícias falsas das verdadeiras.

Além disso, ao analisar as “fake news” por um viés mais individualista, nota-se que essa problemática é capaz de afetar diretamente a vida dos cidadãos a partir do momento em que as inverdades dizem respeito a certas pessoas em particular. Um bom exemplo dessa prática difamatória ocorreu em 2013, quando surgiram boatos nas redes sociais sobre supostos erros clínicos cometidos por um veterinário na cidade de Piracicaba, o que resultou em uma cobrança de indenização sobre uma das pessoas que compartilharam a notícia.

Portanto, torna-se evidente que a propagação de “fake news” causa problemas sociais, sendo primordial a ocorrência de certas medidas. As escolas, públicas e privadas, por meio de parcerias com jornalistas, devem criar atividades de educação tecnológica pautadas não apenas nos malefícios dessa prática, mas também na identificação da veracidade das notícias encontradas na internet, tornando os jovens mais críticos e racionais. Ademais, o Poder Legislativo, em parceria com órgãos de investigação virtual, além de investir na busca por responsáveis pela disseminação de mentiras, deve criar leis severas sobre difamação pessoal nas redes sociais, garantindo a redução desse tipo de prática. Assim será possível a criação de uma sociedade capaz de enxergar além do que as sombras platônicas revelam.