Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 01/07/2018

Um dos principais símbolos da era globalizada, a internet permitiu o compartilhamento de informações a nível mundial e em tempo real. Não somente, com o advento das redes sociais e dos smartphones, a capacidade de produzir e compartilhar notícias tornou-se comum à maioria dos cidadãos. Entretanto, a difusão de inverdades pode tanto prejudicar quanto promover pessoas, empresas, partidos políticos e até ideologias, o que torna a rede mundial de computadores, um perigoso território. Como disse Joseph Goebbels, ministro da propaganda da Alemanha nazista: “Uma mentira contada mil vezes torna-se uma verdade.” Portanto, é urgente a implementação de políticas e campanhas para conter as fake news na contemporaneidade brasileira.

De acordo com Immanuel Kant, os costumes dos indivíduos de uma sociedade não os definem como bons ou maus. Destarte, de maneira análoga, o ato de compartilhar informações nas redes sociais relaciona-se a um antigo hábito presente na sociedade: a fofoca. Tal atitude, ainda que preze pela troca de informações acerca de algo ou alguém, é absorta numa ideia de caráter essencialmente moralizante. Sendo assim, o costume urge como um dever moral de denunciar atos ilícitos e/ou promover atitudes positivas, motivado, muitas vezes, pela boa vontade kantiana, podendo, rapidamente, contudo, ganhar dimensões planetárias na web.

Ademais, uma das prevalecentes características da pós-modernidade é a abundância de sinais confusos que tornam a realidade cada vez mais imprevisível, como descreve Zygmunt Bauman, autor da obra Modernidade Líquida: “A mudança é a única coisa permanente e a incerteza é a única certeza.” Dessa forma, o filósofo classifica como imperativos hodiernos: o imediatismo, a facilidade e a superficialidade da comunicação, assim como a fluidez da vida, sobretudo no meio virtual. Nesse ínterim, é impossível inferir que não apenas aspectos da vida, como a moral, tornam-se relativas e perdem sua solidez, mas também a veracidade e a importância de informações  e mensagens virtuais.

Em suma, dada a complexidade do mundo contemporâneo, medidas meramente condenatórias para o ato de compartilhar notícias falsas, podem ser incondizentes e simplistas quando relacionadas à complexa teia de informações que constitui a internet. Logo, uma rede de medidas são necessárias para mitigar seus perigos. Primeiramente, o Ministério responsável pela tecnologia, em associação com o Poder Judiciário, deve criar um órgão para rastrear, fiscalizar e determinar punições para os criadores das notícias, assim como empresas e pessoas públicas que as compartilhar. Concomitantemente, a mídia, ONGs e escolas podem instruir os cidadãos a checar fontes, ler as matérias inteiras e buscá-las em outros sites antes de divulgá-las, reduzindo, dessa forma, os riscos das fake news.