Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 29/06/2018
O filme Cidadão Kane, de Orson Welles, retratou muito bem como um magnata americano, dono dos meios de comunicação (rádios e jornais), concorreu às eleições presidenciais manipulando a opinião pública, sendo certo que deixou de vencer porque desistiu do pleito motivado por razões pessoais. Setenta anos depois, a ficção tornou-se realidade, uma vez que as “fake news” alavancaram a disputa eleitoral que cominou com a vitória de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos da América. Mas, qual é o problema e quais são os riscos das “fake news”?
Ora, Thomas Hobbes nos esclareceu em seu afamado livro O Leviatã que as palavras formam frases com sentido; e que, se os sentidos forem encadeados, formarão pensamentos individuais; que, por sua vez, se forem compartilhados socialmente, formarão a consciência do povo ou da nação. Isto é o que acontece com as notícias falsas, pois extrapolam o âmbito individual e passam a fazer parte do ideário social.
Por outro lado, na esteira de Theodore Roosevelt, podemos dizer que a informação é que nem o rifle e o voto, pois depende apenas do caráter de quem faz seu uso. Assim, pode-se dizer que Mahatma Gandhi e Martin Luther King usaram a comunicação individual para disseminar a verdade em nome da paz. Mas, Joseph Goebbels manipulou o conteúdo da propaganda nazista a justificar o holocausto na 2ª Grande Guerra Mundial.
Portanto, é preciso que o cidadão brasileiro tenha cautela e criticidade quando recebe conteúdos da mídia digital (especialmente por causa da velocidade de circulação da informação). Nesse contexto, é necessário que as pessoas analisem o conteúdo da notícia (conferindo sua fonte e a sua credibilidade). Se houver dúvida quanto a veracidade, é razoável que recebedor tenha prudência e serenidade e não repasse conteúdo duvidoso a terceiros. Além disso, é imprescindível que as mídias oficiais promovam campanhas de conscientização da população, explicando os problemas das “fake news” e como se precaver seus indesejados resultados. Assim, estaremos menos expostos a holocaustos coletivos de qualquer natureza.