Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 02/07/2018

Estereótipo da pós-verdade

Desde a Revolução Técnico Científica e Informacional, ocorrida a partir da década de 1980, a capacidade de estabelecer comunicações no ambiente virtual cresceu exponencialmente. Conseguintemente, é possível perceber que, seja pelo grande alcance das informações nesse ambiente, seja pelo estereótipo da pós-verdade intrínseco no meio social, o número de notícias falsas veiculadas pela internet cresceu sobejamente, tornando-se indispensável a tomada de medidas que resolvam a questão.

Primordialmente, é indubitável que a grande facilidade de propagação das notícias falsas esteja entre as causas do problema. Com a advento da internet e da World Wide Web, uma rede mundial integrada de computadores e smartphones, a capacidade de obter e de propagar informações aumentou vertiginosamente, o que justifica o fato de, no Brasil, esses meios de comunicação serem responsáveis por garantir o acesso às notícias a mais de 120 milhões de brasileiros, conforme Ministério das Comunicações. Assim, por meio desse ‘’habitat sem fronteiras’’, com títulos chamativos e mensagens alarmantes, as Fake News, como são intituladas as falsas notícias difundidas pelo espaço virtual, encontraram ambiente propício para a sua disseminação, contribuindo para a desinformação da população e para o rompimento da democracia, haja vista que estas inviabilizam a busca da razão e da verdade sobre os fatos.

Outrossim, é incontrovertível que a problemática está longe de ser resolvida. De acordo com a teoria socrática, uma das características fundamentais para o estabelecimento da cidadania é o debate, de modo que se promova a maiêutica, ou seja, o ‘’parto de novas ideias’’. Todavia, de maneira contrária a tese do filósofo, o que se denota na sociedade hodierna é a criação de um discurso baseado na pós-verdade o qual, sob a influência de falsas notícias veiculadas pela internet, contribui para que falsas convicções se disseminem e perpetuem pelo meio social, indiferente aos fatos concretos e objetivos, assegurados por fontes confiáveis, inviabilizando o debate e a maiêutica socrática.

Destarte, é evidente que medidas são necessárias para mitigar o impasse. Logo, com intuito de mitigar a veiculação de falsas notícias pela internet, urge que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Comunicações, por meio de uma ação conjunta com a assessoria das redes sociais e as ONGs, crie mecanismos que cerceiem a propagação das Fake News – como, por exemplo, delegacias online especializadas na detecção destas- permitindo, factualmente, uma maior veracidade de informações na internet.