Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 09/07/2018

Carlos Drummond de Andrade certa vez escreveu um texto denominado “assalto”, no qual descreve a situação de uma senhora que, ao protestar sobre o valor de um legume, ocasiona toda uma confusão, visto que com a disseminação de um mal-entendido, toda a questão foi interpretada erroneamente. Do mesmo modo que aconteceu na história de Drummond, com o avanço tecnológico, notícias são constantemente compartilhadas sem ao menos terem um viés de confirmação de veracidade, o que hoje conhece-se pelo nome de “fake news” - notícias falsas em português. Nesse contexto, tal problemática tomou proporções gigantescas no Brasil, tanto pela falta de discussão sobre o assunto, quanto pelas consequências sociais advindas dela.

É importante destacar, antes de tudo, que, apesar de ter origens antigas, as “fake news” tornaram-se mais perigosas no cenário atual. Antes da criação da internet, indivíduos ficavam presos a veículos comunicativos restritos, os quais dificilmente propagavam inverdades, uma vez que se isso acontecesse, perderiam toda a credibilidade. Hodiernamente, com a rede mundial de computadores, as fontes de notícias são as mais diversas, o que torna a situação complicada, pois, dificilmente, um internauta procura informa-se da confiabilidade de determinado site. Desse modo, pela velocidade de propagação de informação adquirida na fase de hoje, uma mentira tem efeitos enormes assim como Drummond descreveu, precisando de medidas para que seja resolvido o impasse.

Outrossim, é possível ver os resultados presenciados pela sociedade causados por essa questão. Em uma pesquisa realizada pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts, foi comprovado que pessoas tendem a compartilhar cerca de 70% mais uma notícia falsa que uma verdadeira. Diante disso, um fruto desse dado é o caso da dona de casa que foi morta no interior de São Paulo em 2014 pela propagação de boatos de que tinha participado de rituais de magia negra envolvendo crianças. Com esses compartilhamentos desenfreados, efeitos sociais tornam-se mais comuns e, sem dúvidas, precisam ser solucionados, já que podem provocar uma situação como a supracitada.

Urge, portanto, medidas que resolvam o problema das “fake news” no território brasileiro. Para isso, cabe ao Governo Federal, por meio do Poder Legislativo, criar um projeto de lei no qual criminalize a produção e propagação de notícias falsas pelos cidadãos, incluindo pagamento de fiança e, em caso mais graves, a prisão desses infratores. Ademais, por intermédio das grandes mídias, há de se fazer ficções engajadas, como novelas, e propagandas, nas quais abordem essa temática, focando principalmente nas consequências desse problema e alertando a não fazê-lo. Desse modo, alcançará a sensibilização da sociedade  e haverá maior prudência ao se analisar uma notícia.