Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 07/07/2018

‘‘Estamos vivendo em uma bolha, surdos e tropeçando como zumbis mudos’’ foi a escolha da cantora Katy Perry, em sua música Chained to the Rhythm, para definir a atual sociedade. É fato que desde os primórdios da humanidade as pessoas utilizam discursos falsos para favorecerem a si próprios, uma pessoa ou um grupo, como Hitler e Getúlio que utilizaram panfletos, rádios e a TV à seu favor para conquistar a aceitação da população. Com o advento da internet, o compartilhamento de informações e discursos propagandistas ocorrem de maneira mais rápida e ilimitada surgindo, assim, verdadeiras ‘‘bolhas virtuais.’’

Não há o que questionar: estamos vivendo a Era da Pós-Verdade em que as crenças pessoais possuem mais importância que os fatos. Diante desse cenário, pode-se afirmar que a sociedade vive um novo paradigma na forma como a informação é disseminada que é intensa e marcada pelo abuso dos meios de comunicação, dando destaque as redes sociais. As maiores empresas da Internet, como o Facebook e o Google, por exemplo, possuem algoritmos em seu sistema que apresenta ao indivíduo somente ‘‘informações personalizadas’’ de acordo com seus gostos e opiniões, formando uma centralização de informações chamadas de ‘‘bolhas virtuais’’. Tal fato influenciou as eleições de 2016 nos Estados Unidos, onde internautas disseminaram informações falsas no Facebook, que foram em sua maioria favorável a Donald Trump.

Além disso, segundo o Estudo Global Edelman Trust Barometer de 2017, os meios tradicionais de informação perderam credibilidade e as pessoas tendem a confiar mais em quem pensa semelhante e ignoram informações verdadeiras da qual não concordam. Isso resulta em uma verdadeira polarização política e ideológica que aliado às ‘‘fake news’’ e às ‘‘bolhas virtuais’’ dão espaço a um ambiente antidemocrático, não apenas por privar o cidadão do acesso à informação que lhe é garantido por lei, como também, impedem as pessoas de discutir opiniões contrárias e chegar a um consenso.

É necessário que o Ministério da Educação promova nas escolas a realização de palestras que visem a instrução dos jovens sobre a importância da ética na disseminação das informações e a orientação na análise de texto, identificando a origem e autores. É responsabilidade do Ministério de Comunicações garantir a liberdade de expressão no país e aliado ao Congresso Nacional garantir que apenas informações verdadeiras cheguem ao consumidor por meio da aprovação de leis que tornem crime a divulgação de informações falsas, possuindo como pena a aplicação de multas pesadas. É necessário combater as ‘‘fake news’’, mantendo o direito do indivíduo de se expressar e discutir fatos e opiniões com a finalidade de construir uma sociedade mais crítica com base em boas informações.